Mesmo juntas, a atenção fica concentrada nos celulares, em vez do contato pessoal
Luís Alberto Alves
Não importa a idade, os adolescentes de hoje
deixam sem segundo plano o contato pessoal para aumentar a atenção com
celulares ou smartphone. Seus amigos estão nas redes sociais. Poucos ainda saem
de casa para jogar futebol ou praticar brincadeiras típicas desta idade. Nas
festas, eles ficam sentados nas mesas, de olho na tela do aparelho celular.
A preocupação é enviar fotos rápidas do que
estão vendo. Parece febre de mostrar ao colega a importância de participar
daquele evento. Vale tudo. Desde o prato cheio de comida ao pedaço de bolo, ou
mesmo para realçar a qualidade do tênis que usa nos pés. Tudo gira ao redor da
informática.
No café da manhã ou almoço de final de semana,
tanto em casa quanto no restaurante, as mãos estão ocupadas com os celulares.
Puxam pouca conversa com os pais ou mesmo irmãos. Consideram que o melhor é a
conversa virtual, até com alguém que não conhece pessoalmente.
Quando os pais interferem, recebem xingamentos
como respostas. Ou mesmo a observação de que é caretice perder tempo com
diálogos. As imagens no celular valem mais. É campeonato de revelar ao mundo
que consegue estar em vários lugares ao mesmo tempo. Nem as intimidades ficam
de fora. As meninas mostram calcinhas ou até peças de sutiã para as colegas em
poses sensuais. Quando a imagem ganha a internet, percebe o erro cometido.
Nunca devemos ignorar os avanços da
tecnologia. Porém é perigoso quando tudo começa a girar em tordo dela.
Inclusive as relações familiares. Nenhuma máquina é capaz de substituir a
sensibilidade humana, o abraço carinhoso dos pais, o olhar alegre e mesmo a
doce voz de uma mãe ao acariciar o rosto do filho.
Pelo visto caminhamos a passos velozes para
uma sociedade onde a relação pessoal vai dar lugar ao contato virtual. Homens
serão tratados como máquinas. Amizades deixarão o grau de importância de estar
lado a lado, para figurar na tela fria de um computador, onde o indesejável
poderá ser excluído rapidamente. O perigo disto tudo é que a essência do amor
vai se perder e a barbárie ganhará terreno e poder para dominar corações e
mentes.
Policial prende um dos desordeiros que depredou e saqueou lojas próximo à Praça Ramos de Azevedo
Luís Alberto Alves
Cinco minutos. Este foi o tempo necessário
para o fogo consumir um ônibus articulado estacionado próximo ao Theatro
Municipal de SP, Praça Ramos de Azevedo, Centro. As ruas próximas se
transformaram em bagunça. Desocupados, maioria adolescente e jovem passou a
depredar e saquear lojas. Até o final desta tarde (16), a polícia prendeu 70
pessoas envolvidas nos atos de vandalismo.
O estopim de tudo começou no período da manhã,
quando teve início a reintegração de posse de um prédio ocupado por Sem Tetos,
na Avenida São João. Para dificultar a ação, moradores passaram a jogar pelas
janelas pedaços de móveis, inclusive porta de geladeira e tudo que conseguiam
arremessar contra a tropa de choque da PM.
Quando ocorrem episódios desta natureza, logo
aparecem defensores da liberdade de expressão. Criticam a repressão policial.
Inocentam manifestantes, mesmo aqueles flagrados pelas câmeras das emissoras de
televisão chutando portas de estabelecimentos comerciais, para entrar e furtar
as mercadorias. É a inversão dos valores: o errado é certo e o certo é errado.
Ônibus incendiado ao lado do Theatro Municipal
O ônibus incendiado estava a cerca de 200
metros da sede da prefeitura de SP, uma das mais importantes do País, cuja
cidade tem 12 milhões de habitantes. Infelizmente o PT, ao longo dos anos foi
complacente com desmandos dos movimentos populares. Desviou o olhar para os abusos
cometidos por entidades que mais se parecem organizações criminosas.
Talvez esta seja a razão para o aumento da
ojeriza de parte do eleitor contra o partido. Nunca devemos ignorar que a
maioria da população é conservadora. Principalmente a classe média baixa.
Diversos comerciantes investiram o dinheiro do FGTS (Fundo de Garantia por
Tempo de Serviço) para abrir negócio próprio e continuar ganhando a vida. Eles
nunca aceitarão, em nome de uma pseudo democracia, ter suas lojas destruídas e
saqueadas por criminosos infiltrados nestes movimentos sociais.
Hoje (16) a região
central da cidade parou. No período da manhã ninguém conseguia passar ou
atravessar pelo viaduto do Chá, Avenidas São João, Ipiranga, Rio Branco e Ruas
Xavier de Toledo e Consolação. Imagino o desespero de tantos motoristas de
ambulâncias que tinham dificuldade para chegar à Santa Casa ou mesmo subir na
direção do Hospital das Clínicas.
Quantos paulistanos não ficaram reclusos
dentro dos ônibus parados e atemorizados com as depredações que aumentavam a
cada instante. Quem estava a pé logo virou alvo das bombas de efeito moral,
recurso usado para conter distúrbios. Novamente os defensores da liberdade de
expressão criticaram a polícia. Não podia agir desta forma. Porém nenhum deles
teve a audácia de abordar os desordeiros e dizer que democracia não é sinônimo
de bagunça. Infelizmente pimenta nos olhos dos outros é doce.
Este tipo de imagem pode prejudicar entrada em novo emprego
Assim como mostrar que gosta demais de beber
Luís Alberto Alves
Em
época de alta nas redes sociais virou moda colocar tudo na internet. Até
assuntos relacionados à intimidade. Mas segundo o diretor executivo da Innovia
Training e Consulting, Ricardo Barbosa, é preciso tomar algumas precauções,
para não sentir o gosto amargo de uma decisão irresponsável, provocando danos
na carreira profissional.
De
acordo com Barbosa, as redes sociais podem influenciar em relação ao trabalho, daí
muito cuidado na hora de fazer postagem. “Vivemos uma realidade na qual o que
se fala, curte, quem segue e tudo mais pode ser usado a favor e contra
profissionalmente. Atualmente as áreas de recursos humanos já fazem pesquisa
para conhecer o perfil do futuro contratado”, disse.
Na
avaliação dele, não é aconselhável colocar frases mal postadas,
preconceituosas, xingamentos e declarações que são incorretas. “É preciso
escrever corretamente. Muitas pessoas ignoram que as redes sociais seguem a
vida real”, explicou. Para postar, ressalta, é necessário bom senso, atento aos
impactos positivos e negativos de uma postagem.
De
acordo com Barbosa, hoje as pessoas têm acesso ao que as outras fazem nas 24
horas. Daí a importância de preservar a imagem. “É comum fotos de bebedeiras,
baladas e “pegação”. Cada um tem um estilo de vida. Mas é errado expor tudo
isso de forma inadequada, afetando a reputação profissional. Geralmente se
avaliam as pessoas pelo registro de suas fotos”, alertou.
A
sugestão de Barbosa é que antes de tirar qualquer foto, como os famosos selfie,
nunca se pode esquecer que aquela pessoa será julgada através daqueles
registros. “Para tentar reduzir o prejuízo, alguns bloqueiam o acesso às fotos
nas redes sociais, na busca de segurança. A partir do momento que outro
internauta compartilhou a mesma foto, tudo isso cai por terra. O erro já ganhou
o mundo”, afirmou.
Outra saia justa é o funcionário novo
adicionar o novo chefe e vários colegas de trabalho. “É deselegante recusar o
convite. Mas para evitar problema deixe claro que não entra em sua página
amigos do serviço. É ideal adicionar pessoas com quem tenha afinidade”,
afirmou. Para evitar problemas, Barbosa recomenda criar uma rede profissional e
outra pessoal. “Deste jeito é possível manter a privacidade. Apesar de que
muitos vão bisbilhotar para saber o que você faz diariamente”, finalizou.
E Wilson Simonal no auge da fama cantando no ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro
Luís
Alberto Alves
“E se o dinheiro não cobrir nossa farra desse
dia/ meu cordão de ouro vai ficar de garantia/ depois da balada vou pra Love
Story arrastar mais top pra minha mansão/ com a fiel dou um role no shopping,
depois almoço na fogo de chão/boa fragrância, boa impressão/ ostentação é
questão de poder/ a correria traz a condição/ a condição proporciona o lazer..”
Esse trecho da música do MC Boy do Charmes, “Você vale aquilo que tu tem”
revela a carência de espírito de boa parte destes pseudo artistas.
Não sabem a diferença entre riqueza e
ostentação. Quem é classe média alta, tem muito dinheiro no banco e vive nas
mansões das áreas nobres do Brasil, deixa em segundo plano a sedução de se
exibir. Geralmente pessoas que apelam para este tipo de postura são carentes
espiritualmente. Para ganhar status na sociedade necessitam comprar carros
caros, de grife, roupas de costureiros famosos, jóias de elevado valor e virar
arroz de festa em diversos eventos.
Aliás, existe um famoso clube na capital
paulista que recusa no quadro de sócios milionários sem tradição. Precisam ter
família com mais de 90 anos de riqueza. Bom nome na cidade. Alguém que ganhou
dinheiro e não corre o risco de ficar pobre da noite para o dia, como já
acontece com investidor Eike Batista. Ele mesmo não conseguiria entrar neste
clube, por que seus antepassados passavam longe do acúmulo de fortuna.
Ao analisar algumas letras destes artistas
cometas (logo aparecem e rápido desaparecem) percebo nas entrelinhas o elogio
ao crime organizado. Isto é visível em uma das letras de MC Guime quando deixa
bem claro como resolve as divergências:”.. Mas geral fica em choque quando ele
entra em ação/só fuzil 2010, estampado no peito o vulgo de ladrão/ a vacilação
tá aí, mas só vacila quem quer vacilar/se correu pelo errado é rátátátátátá..”
Como vivemos numa sociedade onde pessoas são
julgadas pelos bens de consumo que estão em suas mãos, logo se acredita que o “pobre”
é alguém azarado, porque carrega apenas o conhecimento como riqueza da vida. O
problema é que inúmeras adolescentes, fascinadas pelo dinheiro fácil
transformado em telefones celulares, roupas, calçados, perfumes, grande freqüência
nos salões de beleza, imaginam que estão do lado certo da história. Engano.
Por falta de bons valores familiares, esses
artistas cometas agem iguais aos famintos ao visitar a mesa farta das
churrascarias. Comem em excesso, por medo de não poder repetir aquela
experiência. Os representantes do Pancadão (porque Funk original só é tocado e
cantado nos Estados Unidos) partem para a gastança comprando o maior número
possível de objeto de consumo para mostrar à sociedade que entraram no clube
dos ricos. Infelizmente fizeram isso pela porta dos fundos e logo vão
desaparecer.
Este tipo de postura não é novidade no mundo
artístico. Na década de 1960 o cantor Wilson Simonal ganhou muito dinheiro e
fama. Tinha um programa na extinta TV Tupi e dois na Record. Suas músicas
faziam sucesso e vendia discos igual pipoca na porta de cinema ou escola.
Conseguiu fazer show no ginásio do Maracanãzinho para mais de 30 mil pessoas.
Era considerado no Exterior também, principalmente nos Estados Unidos, onde
Stevie Wonder fez a versão em inglês de um dos seus grandes sucessos “Menina
que desce a ladeira”.
Como ocorre hoje com cantores do Pancadão Ostentação,
Simonal tinha o rabo preso com autoridades policiais da Ditadura Militar que
ficou no governo de 1964 a 1985. Eram criminosos, mas usando distintivos das
Forças Armadas. Ao suspeitar que seu contador estivesse lhe roubando, Simonal o
entregou para sofrer tortura nas mãos dos carrascos daquele governo podre. O
rapaz apanhou muito e quase morreu.
Numa época em que qualquer atitude era
considerada subversiva, os pés de barro de Simonal acabaram descobertos quando
Caetano Veloso prestava depoimento no temível Deops (delegacia responsável pela
investigação de crimes políticos, atualmente extinta). De repente Simonal entra
numa sala, exclusiva para autoridades. Um policial o repreende e recebe como
resposta: “não se preocupe, sou da casa”.
A casa caiu para o menino de ouro da MPB da
década de 1960 e 1970. Aos poucos os artistas combativos descobriram quem era o
dedo duro no show bizz. Logo Simonal passou a fazer poucos shows, perdeu o
posto de garoto propaganda de várias cadeias de lojas e passou a vender poucos
discos. Caiu no anonimato. Morreu no ano 2000 na pobreza e doente. Nunca mais
se reergueu.
Ele cometeu o mesmo erro que hoje é repetido
por vários jovens do Pancadão Ostentação: ligação com criminosos e abusar de
gastos excessivos. Imaginam que a fama é eterna e o sucesso nunca terá fim. Na
vida tudo passa. Dinheiro nas mãos de pessoas sem noção de gastos e valor é
igual vendaval. Provoca forte barulho no começo e depois passa. Por causa das
letras de mau gosto e péssimos arranjos, o Pancadão Ostentação não terá vida
longa.
Patricia, torcedora do Grêmio, xingando o goleiro do Santos
Luís Alberto Alves
A vida não é fácil para negros no Sul dos
Estados Unidos, onde é forte a discriminação racial. O mesmo ocorre na mesma região do Brasil, apesar dos desmentidos de
que em nosso país os negros nunca sofrem ofensas por causa de sua cor de pele.
Os xingamentos contra o goleiro Aranha, na partida entre Santos e Grêmio
mostram que não é mais possível esconder o sol com a peneira.
Aranha disse à polícia que as ofensas começaram na segunda etapa do jogo, vencido pelo Santos
As atitudes da auxiliar de odontologia Patrícia
Moreira e de outros torcedores gremistas mostram a intolerância de parcela da
população contra negros. Aranha contou à polícia, quando foi registrar boletim
de ocorrência numa delegacia de Porto Alegre, que os xingamentos começaram no
segundo tempo do jogo vencido pelos Santos. Ele disse que ouviu vários
torcedores lhe taxando de preto fedido, bando de preto e se conteve, até
começarem a chamá-lo de macaco.
Para azar de Patrícia, as câmeras de uma
emissora de televisão a flagrou com a mão na boca ofendendo o arqueiro
do time paulista. Ela trabalha numa empresa que presta serviços à PM gaúcha e
acabou suspensa. O juiz Wilton Pereira, alertado por Robinho e Gabriel, e de
posse das imagens das emissoras que captaram os xingamentos, poderá ajudar o
Grêmio sofrer multa de até R$ 100 mil, perder pontos e eliminação da equipe do
Brasileirão, segundo regras do Código Brasileiro de Justiça Desportivo.
Violência
Infelizmente algumas pessoas consideram o
assunto tempestade num copo de água. Que não há mal nenhum chamar o negro de
nomes pejorativos. Guardam a herança da época da escravidão, quando sofriam
todos os tipos de violência e não podiam fazer nada. Qualquer tipo de
discriminação é horrível, porque ofende a pessoa, causando sérios danos a sua
personalidade.
No início de minha carreira no jornalismo, na
década de 1980, senti na pele a dor de perder um emprego porque a minha chefe
não gostava de jornalista negro. Depois sofri a mesma experiência quando tentei
trabalho numa emissora de rádio famosa de São Paulo. Por alguns dias me senti o
pior dos seres humanos.
Em outra ocasião fui fazer a entrevista para o
jornal com um político e passei o mesmo vexame: o repórter fotográfico era
branco e estávamos sentados na sala de recepção com outro rapaz que não era
negro. Ele sai da sala e o cumprimenta me ignorando. Seu rosto mudou de cor ao
ouvir a frase: “o jornalista é ele”. Apertou minha mão, meio sem graça. Tentou
se desculpar, mais não conseguiu esconder sua discriminação contra mim.
Infelizmente esse é o Brasil que muitos tentam esconder, com o falso discurso
de democracia racial.
O sorriso do palhaço Tiririca mostra que os políticos abusam da vontade do eleitor
Luís
Alberto Alves
Como ocorre sempre, nestas eleições o mesmo
tom de deboche prevalece na campanha de vários candidatos. Pela propaganda
exibida na televisão nos tratam como se fôssemos palhaços ou alienados, sem condições
de analisar de forma crítica o que nos empurram goela abaixo.
Exemplo mais triste é do então deputado
federal Tiririca na busca do segundo mandato. Sem medo algum plagiou música de
Roberto Carlos para tentar vender o peixe podre da sua plataforma política. A
cena em que simula o anúncio feito por Roberto para uma indústria de carnes é
deplorável. Ao exibir o pedaço de bife no prato não para de sorrir, esquecendo
de que milhões de brasileiros precisam recorrer ao lixo para matar a fome.
Outros candidatos apelaram para a mentira.
Alguns garantem que eleitos vão lutar para tornar ilegal a venda de bebidas alcoólica
nos postos de gasolina. Desconhecem que a Lei Seca reduziu bastante o número de
motoristas bêbados nas ruas, por causa do rigor da punição, incluindo a pesada
multa de quase R$ 2 mil para quem for flagrado com álcool no sangue.
A bancada da bala, como é conhecida a reunião
de policiais militares da reserva, a maioria da PM, promete, caso chegue ao
Congresso Nacional lutar para leis mais duras contra os criminosos. É outro
discurso vazio. Apela para a violência visando conquistar votos dos eleitores
que ainda acreditam no cano de uma arma de fogo como solução para o grave
problema que assola a maioria das cidades brasileiras.
Enfim existem dublês de político de toda
categoria, seja nos partidos considerados de direita, de esquerda e os de
extrema-esquerda, caso do PCO, PSTU e do PCB, que ainda acredita no velho e
manjado discurso de que o comunismo é a solução dos problemas do País. Repetem
o discurso de estatizar diversas empresas e fazer reforma agrária e até a
extinção da polícia.
Muitas gravações parecem trabalho de amadores,
onde o candidato aparece sentado num estúdio com iluminação precária, deixando
sombra na hora da filmagem. Algo que qualquer aluno de Jornalismo aprende na faculdade
a nunca cometer essa falha. Porém, eles tratam os eleitores como bando de
ignorantes.
Na verdade todos eles estão interessados é no
gordo salário de R$ 26 mil, e outras mordomias. Somadas elas ultrapassam os R$
120 mil mensais. Inclusive com direito a plano de saúde requintado, fornecendo
acesso aos melhores hospitais e até no Exterior, caso o problema não possa ser
resolvido pelos nossos médicos.
O melhor dessa bagunça institucionalizada em
Brasília é se aposentar com apenas oito anos de trabalho. Ou seja, duas
legislaturas. Vão receber de benefícios R$ 26 mil mensais. Na verdade todos os
candidatos lutam para entrar neste rico clube. Os criminosos de colarinho branco
usam mandato como seguro para adquirir fórum privilegiado. Sabem que o STF
(Supremo Tribunal Federal) é lento para julgar casos envolvendo políticos. Deste
jeito até injeção na testa vale a pena. Basta iludir o trouxa do eleitor.
A reeleição de Dilma Rousselff começa correr perigo....
...com a ascensão da ambientalista Marina Silva....
...ocupando o lugar do tucano Aécio Neves
Luís
Alberto Alves
A morte de Eduardo Campos, candidato do PSB na
disputa à presidência da República, mudou o quadro desta eleição. Ainda vivo,
tinha, segundo pesquisas, 9% contra 21% do tucano Aécio Neves e 36% da petista
Dilma Rousselff, visando se manter no cargo. Com grande chance de virar cabeça
de chapa, a ambientalista Marina Silva já ocupa o segundo lugar, empatada com
Aécio Neves.
Viajar no mesmo barco do PSDB é palpite fora
de cogitação nos planos de Marina. Da noite para dia, ela virou a terceira
opção dos eleitores cansados do binômio PT/PSDB. Quatro anos atrás o discurso
verde de Marina resultou em 19% dos votos. Colocada para escanteio no PT quando
Dilma foi cacifada por Lula para ocupar sua cadeira no Palácio do Planalto, é
difícil uma composição.
Entre os ambientalistas a presidente Dilma
Rousselff é vista como amiga dos ruralistas, numa agenda onde apenas o
agronegócio encontra espaço. Essa postura virou estopim das rusgas entre ela e
Marina, quando Dilma era ministra chefe da Casa Civil. As pautas do ministério
do Meio Ambiente, pasta ocupada por Marina, sempre encontravam enfrentavam
barreiras até virar realidade. Na maioria das vezes caiam antes de aterrissar
na mesa do então presidente Lula.
Para engrossar o eleitorado do PSB, o discurso
verde e a postura da sucessora de Eduardo Campos ganham simpatia numa parcela
de brasileiros cansados com o continuísmo petista no poder: estão a 12 anos no
governo. Algo parecido ocorreu no México, onde o PRI ficou 70 anos mandando
naquela nação.
Outro problema é que o PT perdeu a aura de
agremiação política acima de qualquer suspeita. Nessas três gestões estouraram
diversos escândalos, o mais famoso deles o do Mensalão. Em busca de apoio no
Congresso Nacional, Lula e Dilma fizeram alianças horrorosas: José Sarney,
Renan Calheiros, Jader Barbalho e Collor de Mello; quarteto conhecido pela
ficha respigada de sujeira na Justiça. Se fossem parlamentares na França ou
Estados Unidos já estariam na cadeia há muito tempo.
O tucano Aécio Neves dificilmente emplaca, por
causa do estilo playboy de vida, que não agrada a parte do eleitor conservador.
Pesam sobre ele denúncias de suposta dependência química, que até agora
continua nebulosa. Quando questionado sobre seus projetos, caso ganhe a eleição,
responde com discurso vazio. Se auto carimba como alguém incapaz de administrar
a sexta economia do mundo. Para complicar, o ex-presidente do Banco Central na
gestão FHC, Armino Fraga, respondeu que numa gestão Aécio Neves, o arrocho
salarial seria aplicado, principalmente reduzindo o percentual de reajustes do
salário mínimo.
Deixando de fora os votos nulos e brancos, a
entrada de Marina Silva possivelmente vai provocar dor de cabeça no quartel
general de Dilma Rousselff, talvez retirando a cereja do bolo de uma possível
reeleição. Não é desprezível a hipótese do tucano Aécio Neves começar voar baixo,
sepultando por enquanto o sonho de sentar na cadeira de presidente no Palácio
do Planalto que seu avô Tancredo Neves foi impedido pela morte em 1985.