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terça-feira, 16 de setembro de 2014

Geração teen atual despreza contato pessoal




Mesmo juntas, a atenção fica concentrada nos celulares, em vez do contato pessoal

Luís Alberto Alves

 Não importa a idade, os adolescentes de hoje deixam sem segundo plano o contato pessoal para aumentar a atenção com celulares ou smartphone. Seus amigos estão nas redes sociais. Poucos ainda saem de casa para jogar futebol ou praticar brincadeiras típicas desta idade. Nas festas, eles ficam sentados nas mesas, de olho na tela do aparelho celular.

 A preocupação é enviar fotos rápidas do que estão vendo. Parece febre de mostrar ao colega a importância de participar daquele evento. Vale tudo. Desde o prato cheio de comida ao pedaço de bolo, ou mesmo para realçar a qualidade do tênis que usa nos pés. Tudo gira ao redor da informática.

 No café da manhã ou almoço de final de semana, tanto em casa quanto no restaurante, as mãos estão ocupadas com os celulares. Puxam pouca conversa com os pais ou mesmo irmãos. Consideram que o melhor é a conversa virtual, até com alguém que não conhece pessoalmente.

 Quando os pais interferem, recebem xingamentos como respostas. Ou mesmo a observação de que é caretice perder tempo com diálogos. As imagens no celular valem mais. É campeonato de revelar ao mundo que consegue estar em vários lugares ao mesmo tempo. Nem as intimidades ficam de fora. As meninas mostram calcinhas ou até peças de sutiã para as colegas em poses sensuais. Quando a imagem ganha a internet, percebe o erro cometido.

 Nunca devemos ignorar os avanços da tecnologia. Porém é perigoso quando tudo começa a girar em tordo dela. Inclusive as relações familiares. Nenhuma máquina é capaz de substituir a sensibilidade humana, o abraço carinhoso dos pais, o olhar alegre e mesmo a doce voz de uma mãe ao acariciar o rosto do filho.


 Pelo visto caminhamos a passos velozes para uma sociedade onde a relação pessoal vai dar lugar ao contato virtual. Homens serão tratados como máquinas. Amizades deixarão o grau de importância de estar lado a lado, para figurar na tela fria de um computador, onde o indesejável poderá ser excluído rapidamente. O perigo disto tudo é que a essência do amor vai se perder e a barbárie ganhará terreno e poder para dominar corações e mentes.

Baderneiros transformam Centro de SP em bagunça


Policial prende um dos desordeiros que depredou e saqueou lojas próximo à Praça Ramos de Azevedo



Luís Alberto Alves

 Cinco minutos. Este foi o tempo necessário para o fogo consumir um ônibus articulado estacionado próximo ao Theatro Municipal de SP, Praça Ramos de Azevedo, Centro. As ruas próximas se transformaram em bagunça. Desocupados, maioria adolescente e jovem passou a depredar e saquear lojas. Até o final desta tarde (16), a polícia prendeu 70 pessoas envolvidas nos atos de vandalismo.

 O estopim de tudo começou no período da manhã, quando teve início a reintegração de posse de um prédio ocupado por Sem Tetos, na Avenida São João. Para dificultar a ação, moradores passaram a jogar pelas janelas pedaços de móveis, inclusive porta de geladeira e tudo que conseguiam arremessar contra a tropa de choque da PM.

 Quando ocorrem episódios desta natureza, logo aparecem defensores da liberdade de expressão. Criticam a repressão policial. Inocentam manifestantes, mesmo aqueles flagrados pelas câmeras das emissoras de televisão chutando portas de estabelecimentos comerciais, para entrar e furtar as mercadorias. É a inversão dos valores: o errado é certo e o certo é errado.
Ônibus incendiado ao lado do Theatro Municipal

 O ônibus incendiado estava a cerca de 200 metros da sede da prefeitura de SP, uma das mais importantes do País, cuja cidade tem 12 milhões de habitantes. Infelizmente o PT, ao longo dos anos foi complacente com desmandos dos movimentos populares. Desviou o olhar para os abusos cometidos por entidades que mais se parecem organizações criminosas.

 Talvez esta seja a razão para o aumento da ojeriza de parte do eleitor contra o partido. Nunca devemos ignorar que a maioria da população é conservadora. Principalmente a classe média baixa. Diversos comerciantes investiram o dinheiro do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para abrir negócio próprio e continuar ganhando a vida. Eles nunca aceitarão, em nome de uma pseudo democracia, ter suas lojas destruídas e saqueadas por criminosos infiltrados nestes movimentos sociais.

Hoje (16) a região central da cidade parou. No período da manhã ninguém conseguia passar ou atravessar pelo viaduto do Chá, Avenidas São João, Ipiranga, Rio Branco e Ruas Xavier de Toledo e Consolação. Imagino o desespero de tantos motoristas de ambulâncias que tinham dificuldade para chegar à Santa Casa ou mesmo subir na direção do Hospital das Clínicas.

 Quantos paulistanos não ficaram reclusos dentro dos ônibus parados e atemorizados com as depredações que aumentavam a cada instante. Quem estava a pé logo virou alvo das bombas de efeito moral, recurso usado para conter distúrbios. Novamente os defensores da liberdade de expressão criticaram a polícia. Não podia agir desta forma. Porém nenhum deles teve a audácia de abordar os desordeiros e dizer que democracia não é sinônimo de bagunça. Infelizmente pimenta nos olhos dos outros é doce.


quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Erros que devem ser evitados nas redes sociais



Este tipo de imagem pode prejudicar entrada em novo emprego

Assim como mostrar que gosta demais de beber

Luís Alberto Alves

 Em época de alta nas redes sociais virou moda colocar tudo na internet. Até assuntos relacionados à intimidade. Mas segundo o diretor executivo da Innovia Training e Consulting, Ricardo Barbosa, é preciso tomar algumas precauções, para não sentir o gosto amargo de uma decisão irresponsável, provocando danos na carreira profissional.

 De acordo com Barbosa, as redes sociais podem influenciar em relação ao trabalho, daí muito cuidado na hora de fazer postagem. “Vivemos uma realidade na qual o que se fala, curte, quem segue e tudo mais pode ser usado a favor e contra profissionalmente. Atualmente as áreas de recursos humanos já fazem pesquisa para conhecer o perfil do futuro contratado”, disse.

 Na avaliação dele, não é aconselhável colocar frases mal postadas, preconceituosas, xingamentos e declarações que são incorretas. “É preciso escrever corretamente. Muitas pessoas ignoram que as redes sociais seguem a vida real”, explicou. Para postar, ressalta, é necessário bom senso, atento aos impactos positivos e negativos de uma postagem.

 De acordo com Barbosa, hoje as pessoas têm acesso ao que as outras fazem nas 24 horas. Daí a importância de preservar a imagem. “É comum fotos de bebedeiras, baladas e “pegação”. Cada um tem um estilo de vida. Mas é errado expor tudo isso de forma inadequada, afetando a reputação profissional. Geralmente se avaliam as pessoas pelo registro de suas fotos”, alertou.

 A sugestão de Barbosa é que antes de tirar qualquer foto, como os famosos selfie, nunca se pode esquecer que aquela pessoa será julgada através daqueles registros. “Para tentar reduzir o prejuízo, alguns bloqueiam o acesso às fotos nas redes sociais, na busca de segurança. A partir do momento que outro internauta compartilhou a mesma foto, tudo isso cai por terra. O erro já ganhou o mundo”, afirmou.

 Outra saia justa é o funcionário novo adicionar o novo chefe e vários colegas de trabalho. “É deselegante recusar o convite. Mas para evitar problema deixe claro que não entra em sua página amigos do serviço. É ideal adicionar pessoas com quem tenha afinidade”, afirmou. Para evitar problemas, Barbosa recomenda criar uma rede profissional e outra pessoal. “Deste jeito é possível manter a privacidade. Apesar de que muitos vão bisbilhotar para saber o que você faz diariamente”, finalizou.






quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Pancadão Ostentação reflete pobreza de espírito




MC Boy do Charmes na gravação de um clipe...

E Wilson Simonal no auge da fama cantando no ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro

Luís Alberto Alves
 “E se o dinheiro não cobrir nossa farra desse dia/ meu cordão de ouro vai ficar de garantia/ depois da balada vou pra Love Story arrastar mais top pra minha mansão/ com a fiel dou um role no shopping, depois almoço na fogo de chão/boa fragrância, boa impressão/ ostentação é questão de poder/ a correria traz a condição/ a condição proporciona o lazer..” Esse trecho da música do MC Boy do Charmes, “Você vale aquilo que tu tem” revela a carência de espírito de boa parte destes pseudo artistas.
 Não sabem a diferença entre riqueza e ostentação. Quem é classe média alta, tem muito dinheiro no banco e vive nas mansões das áreas nobres do Brasil, deixa em segundo plano a sedução de se exibir. Geralmente pessoas que apelam para este tipo de postura são carentes espiritualmente. Para ganhar status na sociedade necessitam comprar carros caros, de grife, roupas de costureiros famosos, jóias de elevado valor e virar arroz de festa em diversos eventos.
 Aliás, existe um famoso clube na capital paulista que recusa no quadro de sócios milionários sem tradição. Precisam ter família com mais de 90 anos de riqueza. Bom nome na cidade. Alguém que ganhou dinheiro e não corre o risco de ficar pobre da noite para o dia, como já acontece com investidor Eike Batista. Ele mesmo não conseguiria entrar neste clube, por que seus antepassados passavam longe do acúmulo de fortuna.
 Ao analisar algumas letras destes artistas cometas (logo aparecem e rápido desaparecem) percebo nas entrelinhas o elogio ao crime organizado. Isto é visível em uma das letras de MC Guime quando deixa bem claro como resolve as divergências:”.. Mas geral fica em choque quando ele entra em ação/só fuzil 2010, estampado no peito o vulgo de ladrão/ a vacilação tá aí, mas só vacila quem quer vacilar/se correu pelo errado é rátátátátátá..”
 Como vivemos numa sociedade onde pessoas são julgadas pelos bens de consumo que estão em suas mãos, logo se acredita que o “pobre” é alguém azarado, porque carrega apenas o conhecimento como riqueza da vida. O problema é que inúmeras adolescentes, fascinadas pelo dinheiro fácil transformado em telefones celulares, roupas, calçados, perfumes, grande freqüência nos salões de beleza, imaginam que estão do lado certo da história. Engano.
 Por falta de bons valores familiares, esses artistas cometas agem iguais aos famintos ao visitar a mesa farta das churrascarias. Comem em excesso, por medo de não poder repetir aquela experiência. Os representantes do Pancadão (porque Funk original só é tocado e cantado nos Estados Unidos) partem para a gastança comprando o maior número possível de objeto de consumo para mostrar à sociedade que entraram no clube dos ricos. Infelizmente fizeram isso pela porta dos fundos e logo vão desaparecer.
 Este tipo de postura não é novidade no mundo artístico. Na década de 1960 o cantor Wilson Simonal ganhou muito dinheiro e fama. Tinha um programa na extinta TV Tupi e dois na Record. Suas músicas faziam sucesso e vendia discos igual pipoca na porta de cinema ou escola. Conseguiu fazer show no ginásio do Maracanãzinho para mais de 30 mil pessoas. Era considerado no Exterior também, principalmente nos Estados Unidos, onde Stevie Wonder fez a versão em inglês de um dos seus grandes sucessos “Menina que desce a ladeira”.
 Como ocorre hoje com cantores do Pancadão Ostentação, Simonal tinha o rabo preso com autoridades policiais da Ditadura Militar que ficou no governo de 1964 a 1985. Eram criminosos, mas usando distintivos das Forças Armadas. Ao suspeitar que seu contador estivesse lhe roubando, Simonal o entregou para sofrer tortura nas mãos dos carrascos daquele governo podre. O rapaz apanhou muito e quase morreu.
 Numa época em que qualquer atitude era considerada subversiva, os pés de barro de Simonal acabaram descobertos quando Caetano Veloso prestava depoimento no temível Deops (delegacia responsável pela investigação de crimes políticos, atualmente extinta). De repente Simonal entra numa sala, exclusiva para autoridades. Um policial o repreende e recebe como resposta: “não se preocupe, sou da casa”.
 A casa caiu para o menino de ouro da MPB da década de 1960 e 1970. Aos poucos os artistas combativos descobriram quem era o dedo duro no show bizz. Logo Simonal passou a fazer poucos shows, perdeu o posto de garoto propaganda de várias cadeias de lojas e passou a vender poucos discos. Caiu no anonimato. Morreu no ano 2000 na pobreza e doente. Nunca mais se reergueu.
 Ele cometeu o mesmo erro que hoje é repetido por vários jovens do Pancadão Ostentação: ligação com criminosos e abusar de gastos excessivos. Imaginam que a fama é eterna e o sucesso nunca terá fim. Na vida tudo passa. Dinheiro nas mãos de pessoas sem noção de gastos e valor é igual vendaval. Provoca forte barulho no começo e depois passa. Por causa das letras de mau gosto e péssimos arranjos, o Pancadão Ostentação não terá vida longa.

  

sábado, 30 de agosto de 2014

Sul do Brasil é tão racista quanto a mesma região dos Estados Unidos




Patricia, torcedora do Grêmio, xingando o goleiro do Santos


Luís Alberto Alves

 A vida não é fácil para negros no Sul dos Estados Unidos, onde é forte a discriminação racial. O mesmo ocorre na mesma  região do Brasil, apesar dos desmentidos de que em nosso país os negros nunca sofrem ofensas por causa de sua cor de pele. Os xingamentos contra o goleiro Aranha, na partida entre Santos e Grêmio mostram que não é mais possível esconder o sol com a peneira.
Aranha disse à polícia que as ofensas começaram na segunda etapa do jogo, vencido pelo Santos


 As atitudes da auxiliar de odontologia Patrícia Moreira e de outros torcedores gremistas mostram a intolerância de parcela da população contra negros. Aranha contou à polícia, quando foi registrar boletim de ocorrência numa delegacia de Porto Alegre, que os xingamentos começaram no segundo tempo do jogo vencido pelos Santos. Ele disse que ouviu vários torcedores lhe taxando de preto fedido, bando de preto e se conteve, até começarem a chamá-lo de macaco.

 Para azar de Patrícia, as câmeras de uma emissora de televisão a flagrou com a mão na boca ofendendo o arqueiro do time paulista. Ela trabalha numa empresa que presta serviços à PM gaúcha e acabou suspensa. O juiz Wilton Pereira, alertado por Robinho e Gabriel, e de posse das imagens das emissoras que captaram os xingamentos, poderá ajudar o Grêmio sofrer multa de até R$ 100 mil, perder pontos e eliminação da equipe do Brasileirão, segundo regras do Código Brasileiro de Justiça Desportivo.

                                                           Violência
 Infelizmente algumas pessoas consideram o assunto tempestade num copo de água. Que não há mal nenhum chamar o negro de nomes pejorativos. Guardam a herança da época da escravidão, quando sofriam todos os tipos de violência e não podiam fazer nada. Qualquer tipo de discriminação é horrível, porque ofende a pessoa, causando sérios danos a sua personalidade.

 No início de minha carreira no jornalismo, na década de 1980, senti na pele a dor de perder um emprego porque a minha chefe não gostava de jornalista negro. Depois sofri a mesma experiência quando tentei trabalho numa emissora de rádio famosa de São Paulo. Por alguns dias me senti o pior dos seres humanos.

 Em outra ocasião fui fazer a entrevista para o jornal com um político e passei o mesmo vexame: o repórter fotográfico era branco e estávamos sentados na sala de recepção com outro rapaz que não era negro. Ele sai da sala e o cumprimenta me ignorando. Seu rosto mudou de cor ao ouvir a frase: “o jornalista é ele”. Apertou minha mão, meio sem graça. Tentou se desculpar, mais não conseguiu esconder sua discriminação contra mim. Infelizmente esse é o Brasil que muitos tentam esconder, com o falso discurso de democracia racial.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Eleições 2014: candidatos tratam eleitor como se fossem palhaços


O sorriso do palhaço Tiririca mostra que os políticos abusam da vontade do eleitor



Luís Alberto Alves

 Como ocorre sempre, nestas eleições o mesmo tom de deboche prevalece na campanha de vários candidatos. Pela propaganda exibida na televisão nos tratam como se fôssemos palhaços ou alienados, sem condições de analisar de forma crítica o que nos empurram goela abaixo.

 Exemplo mais triste é do então deputado federal Tiririca na busca do segundo mandato. Sem medo algum plagiou música de Roberto Carlos para tentar vender o peixe podre da sua plataforma política. A cena em que simula o anúncio feito por Roberto para uma indústria de carnes é deplorável. Ao exibir o pedaço de bife no prato não para de sorrir, esquecendo de que milhões de brasileiros precisam recorrer ao lixo para matar a fome.

 Outros candidatos apelaram para a mentira. Alguns garantem que eleitos vão lutar para tornar ilegal a venda de bebidas alcoólica nos postos de gasolina. Desconhecem que a Lei Seca reduziu bastante o número de motoristas bêbados nas ruas, por causa do rigor da punição, incluindo a pesada multa de quase R$ 2 mil para quem for flagrado com álcool no sangue.

 A bancada da bala, como é conhecida a reunião de policiais militares da reserva, a maioria da PM, promete, caso chegue ao Congresso Nacional lutar para leis mais duras contra os criminosos. É outro discurso vazio. Apela para a violência visando conquistar votos dos eleitores que ainda acreditam no cano de uma arma de fogo como solução para o grave problema que assola a maioria das cidades brasileiras.

 Enfim existem dublês de político de toda categoria, seja nos partidos considerados de direita, de esquerda e os de extrema-esquerda, caso do PCO, PSTU e do PCB, que ainda acredita no velho e manjado discurso de que o comunismo é a solução dos problemas do País. Repetem o discurso de estatizar diversas empresas e fazer reforma agrária e até a extinção da polícia.

 Muitas gravações parecem trabalho de amadores, onde o candidato aparece sentado num estúdio com iluminação precária, deixando sombra na hora da filmagem. Algo que qualquer aluno de Jornalismo aprende na faculdade a nunca cometer essa falha. Porém, eles tratam os eleitores como bando de ignorantes.
 Na verdade todos eles estão interessados é no gordo salário de R$ 26 mil, e outras mordomias. Somadas elas ultrapassam os R$ 120 mil mensais. Inclusive com direito a plano de saúde requintado, fornecendo acesso aos melhores hospitais e até no Exterior, caso o problema não possa ser resolvido pelos nossos médicos.

 O melhor dessa bagunça institucionalizada em Brasília é se aposentar com apenas oito anos de trabalho. Ou seja, duas legislaturas. Vão receber de benefícios R$ 26 mil mensais. Na verdade todos os candidatos lutam para entrar neste rico clube. Os criminosos de colarinho branco usam mandato como seguro para adquirir fórum privilegiado. Sabem que o STF (Supremo Tribunal Federal) é lento para julgar casos envolvendo políticos. Deste jeito até injeção na testa vale a pena. Basta iludir o trouxa do eleitor.


segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Eleições 2014: morte de Eduardo Campos embaralha corrida à presidência





A reeleição de Dilma Rousselff começa correr perigo....

...com a ascensão da ambientalista Marina Silva....

...ocupando o lugar do tucano Aécio Neves
Luís Alberto Alves

 A morte de Eduardo Campos, candidato do PSB na disputa à presidência da República, mudou o quadro desta eleição. Ainda vivo, tinha, segundo pesquisas, 9% contra 21% do tucano Aécio Neves e 36% da petista Dilma Rousselff, visando se manter no cargo. Com grande chance de virar cabeça de chapa, a ambientalista Marina Silva já ocupa o segundo lugar, empatada com Aécio Neves.

 Viajar no mesmo barco do PSDB é palpite fora de cogitação nos planos de Marina. Da noite para dia, ela virou a terceira opção dos eleitores cansados do binômio PT/PSDB. Quatro anos atrás o discurso verde de Marina resultou em 19% dos votos. Colocada para escanteio no PT quando Dilma foi cacifada por Lula para ocupar sua cadeira no Palácio do Planalto, é difícil uma composição.

 Entre os ambientalistas a presidente Dilma Rousselff é vista como amiga dos ruralistas, numa agenda onde apenas o agronegócio encontra espaço. Essa postura virou estopim das rusgas entre ela e Marina, quando Dilma era ministra chefe da Casa Civil. As pautas do ministério do Meio Ambiente, pasta ocupada por Marina, sempre encontravam enfrentavam barreiras até virar realidade. Na maioria das vezes caiam antes de aterrissar na mesa do então presidente Lula.

 Para engrossar o eleitorado do PSB, o discurso verde e a postura da sucessora de Eduardo Campos ganham simpatia numa parcela de brasileiros cansados com o continuísmo petista no poder: estão a 12 anos no governo. Algo parecido ocorreu no México, onde o PRI ficou 70 anos mandando naquela nação.

 Outro problema é que o PT perdeu a aura de agremiação política acima de qualquer suspeita. Nessas três gestões estouraram diversos escândalos, o mais famoso deles o do Mensalão. Em busca de apoio no Congresso Nacional, Lula e Dilma fizeram alianças horrorosas: José Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho e Collor de Mello; quarteto conhecido pela ficha respigada de sujeira na Justiça. Se fossem parlamentares na França ou Estados Unidos já estariam na cadeia há muito tempo.

 O tucano Aécio Neves dificilmente emplaca, por causa do estilo playboy de vida, que não agrada a parte do eleitor conservador. Pesam sobre ele denúncias de suposta dependência química, que até agora continua nebulosa. Quando questionado sobre seus projetos, caso ganhe a eleição, responde com discurso vazio. Se auto carimba como alguém incapaz de administrar a sexta economia do mundo. Para complicar, o ex-presidente do Banco Central na gestão FHC, Armino Fraga, respondeu que numa gestão Aécio Neves, o arrocho salarial seria aplicado, principalmente reduzindo o percentual de reajustes do salário mínimo.

 Deixando de fora os votos nulos e brancos, a entrada de Marina Silva possivelmente vai provocar dor de cabeça no quartel general de Dilma Rousselff, talvez retirando a cereja do bolo de uma possível reeleição. Não é desprezível a hipótese do tucano Aécio Neves começar voar baixo, sepultando por enquanto o sonho de sentar na cadeira de presidente no Palácio do Planalto que seu avô Tancredo Neves foi impedido pela morte em 1985.