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Lula e Flávio Bolsonaro prometem prontuário único, mas o que falta para integrar a saúde dos brasileiros?

IA  Radiografia da Notícia *  Prontuário único aparece nos planos de Lula e Flávio Bolsonaro, mas especialista alerta que conectar sistemas ...

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Lula e Flávio Bolsonaro prometem prontuário único, mas o que falta para integrar a saúde dos brasileiros?

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 Radiografia da Notícia

* Prontuário único aparece nos planos de Lula e Flávio Bolsonaro, mas especialista alerta que conectar sistemas de hospitais e clínicas não garante ao paciente acesso à sua trajetória completa de saúde

Redação/Hourpress

A unificação dos dados de saúde dos brasileiros será um dos desafios do próximo presidente da República, independente de quem vencer o segundo turno das eleições. Tanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto Flávio Bolsonaro (PL) incluem em seus planos de governo propostas para ampliar a integração dos prontuários eletrônicos. O debate, porém, vai além da digitalização dos serviços: como garantir que informações produzidas em diferentes hospitais, clínicas, laboratórios e consultórios estejam acessíveis ao próprio paciente ao longo de toda a vida?
 

Para a MYME, healthtech brasileira que desenvolveu uma plataforma gratuita de centralização do histórico médico, esse é um dos principais desafios da saúde digital no país. A discussão ganha relevância diante de um levantamento do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), que analisou 95 propostas para a saúde presentes nos planos de seis candidatos à Presidência. Segundo o estudo, 56% dessas medidas já existem, total ou parcialmente, como políticas ou programas do Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, 95% exigem recursos adicionais e 83% dependem de articulação entre União, estados e municípios. Entre os pontos de convergência identificados estão justamente o prontuário eletrônico único e a ampliação da telessaúde.
 

Para Lucas Santiago, cofundador da MYME, a integração dos sistemas é fundamental, mas não resolve, sozinha, a fragmentação das informações de saúde. “O desafio é garantir que os registros acompanhem o paciente, independentemente de onde ele seja atendido, e possam ser acessados e compartilhados com segurança”, comentou.


Hoje
 

Nos programas apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula propõe acelerar a consolidação do prontuário único do cidadão por meio da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), enquanto Flávio Bolsonaro defende um prontuário eletrônico vinculado ao CPF e integrado ao Gov.br, com interoperabilidade entre as redes pública e privada. Embora apresentem caminhos distintos, as duas propostas reconhecem a necessidade de conectar informações que hoje estão distribuídas entre diferentes sistemas.
 

Atualmente, o Brasil já conta com uma infraestrutura nacional para essa integração. Criada em 2020, a RNDS (Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) permite a troca padronizada de informações entre sistemas de saúde. Pelo aplicativo Meu SUS Digital, os cidadãos podem consultar registros disponíveis de vacinação, exames, medicamentos e atendimentos, conforme os dados enviados pelas instituições conectadas à rede. Segundo o Ministério da Saúde, a RNDS já reunia mais de 5 bilhões de registros em agosto de 2026. Em setembro, o governo concluiu a etapa estadual de uma estratégia de ampliação do acesso e uso dos dados, com participação das 27 unidades da Federação, e iniciou a preparação para levar essa estrutura de forma mais ampla aos municípios.
 

Apesar disso, a integração ainda enfrenta obstáculos. “A conexão entre os sistemas públicos e privados não é universal, há diferenças na infraestrutura tecnológica disponível em cada região e nem todas as informações produzidas durante a trajetória de saúde de uma pessoa são incorporadas aos registros institucionais”, disse Lucas.
 

Do prontuário eletrônico ao histórico completo do paciente

Para Lucas, é importante diferenciar dois conceitos: a interoperabilidade, que permite a troca de informações entre sistemas, e a gestão do histórico de saúde pelo próprio paciente. Enquanto a primeira conecta instituições, a segunda busca garantir que o cidadão tenha acesso a um conjunto completo de informações, incluindo registros que não necessariamente fazem parte dos prontuários de hospitais e clínicas.
 

“Esse conjunto pode incluir exames antigos, prescrições, sintomas registrados em casa, medicamentos utilizados sem acompanhamento contínuo, informações sobre o sono e dados de tratamentos multidisciplinares, como fisioterapia, psicologia e terapia ocupacional. São registros que ajudam a contextualizar a evolução da saúde de uma pessoa, especialmente em casos de doenças crônicas ou tratamentos de longa duração”.
 

Lucas acredita que o desafio para os próximos anos não será apenas ampliar a digitalização dos prontuários, mas fazer com que as informações possam circular de forma segura entre instituições e permaneçam acessíveis ao cidadão. “A consolidação desse modelo exige investimentos em infraestrutura, padronização, proteção de dados e mecanismos que garantam autonomia ao paciente, independentemente de quem esteja à frente do governo federal”, finalizou.

Ginecologista alerta que menopausa não encerra a necessidade de prevenção e acompanhamento ginecológico

    IA


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* Com a idade figurando entre os principais fatores de risco para o câncer de mama, especialista destaca a importância do rastreamento individualizado, do diagnóstico precoce e do cuidado integral com a saúde da mulher após os 50 anos

Redação/Hourpress

O encerramento do ciclo reprodutivo e a chegada da menopausa costumam trazer a falsa impressão de que as consultas ginecológicas regulares e os exames de rotina deixam de ser necessários. Aproveitando as mobilizações do Outubro Rosa, a MedSênior reforça que o envelhecimento exige atenção contínua à saúde feminina, lembrando que a prevenção de doenças e a busca por qualidade de vida devem acompanhar a mulher em todas as etapas da maturidade.
 

De acordo com a ginecologista da MedSênior, Dra. Isabela Laender, a ideia de que a saúde da mulher se encerra com o fim das menstruações precisa ser desmistificada. “Na terceira idade, a abordagem clínica muda de foco: a consulta passa a priorizar o manejo das alterações hormonais da menopausa, o monitoramento das mamas, da vulva e da vagina, bem como o diagnóstico precoce de patologias comuns ao avanço da idade”. Sintomas como ressecamento vaginal, ondas de calor, alterações urinárias e distúrbios do sono — decorrentes da acentuada queda de estrogênio — não devem ser tratados como desconfortos inevitáveis da idade.
 

"Existe uma ideia equivocada de que, depois da menopausa ou quando a mulher deixa de ter vida reprodutiva, ela não precisa mais ir ao ginecologista. Mas a saúde ginecológica não termina com a menstruação. O que acontece é que o foco do acompanhamento muda. Envelhecer é natural, mas isso não significa que todo desconforto precise ser aceito como inevitável.", reforçou a especialista.
 

Câncer de mama e mamografia na maturidade
 

Diferente do que parte da população acredita, o risco de desenvolvimento de tumores mamários não cessa com o climatério. Pelo contrário: a idade avançada representa um dos mais significativos fatores de risco para o câncer de mama, com a maioria dos diagnósticos concentrada a partir dos 50 anos.
 

No Brasil, a diretriz de rastreamento populacional do Ministério da Saúde preconiza a realização da mamografia bienal para mulheres assintomáticas entre 50 e 74 anos. Acima dessa faixa etária, a indicação deve ser individualizada, considerando o histórico de saúde, as condições clínicas globais e a relação entre riscos e benefícios.
 

A médica adverte, contudo, que o rastreamento preventivo difere da investigação diagnóstica: alterações perceptíveis — a exemplo de nódulos, retração mamilar, mudanças cutâneas ou secreções espontâneas — exigem avaliação clínica imediata, independentemente do cronograma da última mamografia. "Chegar à menopausa não significa que podemos deixar a saúde das mamas de lado. Não devemos olhar apenas para a idade escrita no documento: duas mulheres com a mesma idade podem ter condições de saúde e histórias completamente diferentes, e a decisão precisa ser individualizada." - complementou a Dra. Isabela.
 

Histórico familiar, sexualidade e olhar integrado
 

Outro ponto de atenção no acompanhamento preventivo é a análise genética e familiar. A ocorrência de casos de câncer de mama ou de ovário entre parentes pode justificar condutas clínicas diferenciadas. No entanto, a ausência de casos na família não isenta a paciente de riscos, visto que o tumor mamário acomete frequentemente mulheres sem qualquer histórico prévio da doença.
 

A especialista também salienta que o acompanhamento ginecológico independe de a mulher manter vida sexual ativa. A consulta é fundamental para avaliar queixas funcionais e investigar sinais de alerta cruciais, como sangramentos vaginais pós-menopausa, que não devem ser interpretados como o retorno da menstruação. Para as que permanecem sexualmente ativas, a preservação da saúde e bem-estar sexual e a prevenção contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) continuam indispensáveis, combatendo tabus que cercam a maturidade.
 

A MedSênior ressalta, ainda, a importância da integração entre a ginecologia e a geriatria. Enquanto o geriatra contempla a funcionalidade, o equilíbrio, as doenças crônicas e a autonomia, o ginecologista aprofunda o cuidado direcionado às mamas, ao aparelho reprodutor e aos sintomas hormonais. Portanto, o olhar precisa ser integrado para que seja possível manter a qualidade de vida: "cuidar da saúde da mulher não deve acontecer apenas durante a fase reprodutiva. A mulher continua demandando prevenção, escuta e qualidade de vida em todas as fases da vida. A consulta após a menopausa precisa olhar para a mulher como um todo: entender como ela está vivendo, dormindo, se movimentando, se alimentando e como está sua rotina.", finalizou a ginecologista, Dra. Isabela Laender.
 

sábado, 17 de outubro de 2026

Tribunal determina retomada de ação penal sobre suposto esquema de propina no Hospital Naval Marcílio Dias

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* O caso envolve suspeitas de pagamentos a um oficial da Marinha em troca da agilização de pagamentos devidos a empresas

Redação/Hourpress

O Superior Tribunal Militar (STM) decidiu, por maioria, dar provimento a um recurso do Ministério Público Militar (MPM) e restabelecer o recebimento da denúncia contra um oficial da Marinha e dois civis investigados por suposto esquema de cobrança de propina de empresas fornecedoras do Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio de Janeiro. Com a decisão, o processo deverá retornar à primeira instância para prosseguimento da ação penal.

O caso envolve suspeitas de pagamentos a um oficial da Marinha em troca da agilização de pagamentos devidos a empresas que prestavam serviços ao hospital. A investigação é resultado da Operação Desiderato, que apurou possíveis irregularidades em contratos administrativos da unidade militar.

Segundo a denúncia, o então chefe do Departamento de Intendência do hospital, um  capitão de fragata, teria solicitado o pagamento de 10% sobre o valor das faturas devidas a duas empresas. A investigação aponta três pagamentos, realizados em fevereiro, abril e julho de 2017, que totalizariam R$ 110.259,06.

Além do oficial, o MPM denunciou os civis empresários por suposta participação nos fatos.

Justiça Militar havia rejeitado a denúncia

Em 24 de abril de 2024, a Justiça Militar recebeu a denúncia contra os três investigados. Posteriormente, o juízo da 4ª Auditoria da 1ª Circunscrição Judiciária Militar reconsiderou a decisão e rejeitou a acusação por entender que não havia justa causa para a abertura da ação penal.

A decisão de primeira instância considerou ilícitas provas apresentadas pela acusação, entre elas gravações ambientais e mensagens trocadas pelo WhatsApp. O entendimento foi de que havia questionamentos sobre a legalidade dos procedimentos utilizados na obtenção do material e sobre a confiabilidade das provas.

O Ministério Público Militar recorreu ao STM para tentar reverter a decisão. O órgão acusador defendeu a validade das provas e sustentou que os elementos reunidos justificavam o prosseguimento da ação penal.

Maioria do STM determina o prosseguimento do processo

Ao analisar o recurso em sentido estrito, o Tribunal Pleno decidiu, por maioria, restabelecer a decisão de 24 de abril de 2024, que havia recebido a denúncia. Com isso, a acusação deverá ser processada em primeira instância.

O entendimento majoritário foi pelo recebimento da denúncia contra o capitão de fragata, pela suposta prática do crime de corrupção passiva, previsto no artigo 308, parágrafo 1º, do Código Penal Militar, por três vezes.

Em relação aos civis, a denúncia foi restabelecida pela suposta prática do crime de corrupção ativa, previsto no artigo 309, parágrafo único, do Código Penal Militar, também por três vezes. Em ambos os casos, a acusação considera a continuidade dos fatos nos termos do artigo 80 do mesmo código.

O relator original, ministro Artur Vidigal de Oliveira, votou contra o recurso do MPM, defendendo a manutenção da decisão que rejeitou a denúncia. A ministra Verônica Abdalla Sterman acompanhou esse entendimento.

O ministro Carlos Vuyk de Aquino, que havia pedido vista do processo na sessão de 1º de outubro de 2026, também votou contra o recurso ao apresentar seu voto-vista. Já o ministro Lourival Carvalho Silva deu provimento parcial ao recurso, defendendo o prosseguimento da ação penal apenas em relação ao oficial da Marinha, pelo crime de concussão, mantendo a rejeição da denúncia contra os dois civis.

Com a decisão majoritária, o ministro Leonardo Puntel foi designado relator para o acórdão. O ministro Artur Vidigal de Oliveira apresentará voto vencido, e o ministro Lourival Carvalho Silva apresentará declaração de voto.

Processo retorna à primeira instância

Com o resultado, os autos retornarão ao juízo de primeiro grau para o regular prosseguimento da ação penal.

A decisão do STM trata do recebimento da denúncia e da continuidade do processo. Portanto, não representa condenação dos investigados, cuja responsabilidade pelos fatos ainda deverá ser examinada no curso da ação penal.

Recurso em Sentido Estrito Nº 7000638-47.2025.7.00.0000/RJ

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Hcor inicia transplantes de fígado e de medula óssea e amplia atuação em alta complexidade

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* Hospital passa a realizar dois dos procedimentos mais complexos da medicina com equipes altamente especializadas e habilitadas pelo Ministério da Saúde 

Redação/Hourpress

O Hcor continua investindo em sua estratégia de consolidação como hospital de alta complexidade e acaba de receber habilitação do Ministério da Saúde para iniciar seus Programas de Transplante Hepático e de Transplante de Medula Óssea (Células Progenitoras Hematopoéticas) A nova frente expande a atuação da instituição e reforça seu posicionamento em especialidades além da Cardiologia. A expectativa é realizar os primeiros procedimentos ainda em 2026 e, gradualmente, ampliar a capacidade de atendimento.

 

"Os transplantes hepático e de medula óssea reúnem alguns dos maiores desafios da medicina moderna, porque exigem excelência técnica, infraestrutura altamente especializada e integração entre diferentes equipes assistenciais. Com essas novas habilitações, ampliamos nossa capacidade de atender pacientes com doenças hepáticas avançadas e afecções hematológicas graves, reforçando a estratégia do Hcor de oferecer cuidado de alta complexidade em diferentes especialidades", afirmou o Dr. Alexandre Biasi, superintendente Médico, de Ensino e Pesquisa do Hcor.

 

Transplante Hepático

 

O início do serviço ocorre em um momento de aumento da mortalidade por doenças hepáticas no Brasil. Um estudo publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Américas (2024) mostra que essas condições foram responsáveis por cerca de 3% de todas as mortes registradas no país em 2020, o equivalente a um em cada 33 óbitos, e que a taxa de mortalidade vem crescendo nas últimas décadas. Entre as doenças mais fatais, estão câncer de fígado, doença hepática relacionada ao álcool, cirrose e fibrose hepática, insuficiência hepática e hepatites virais crônicas.

 

Para caminhar nesse cenário, a equipe médica responsável apresenta sólida experiência nas respectivas áreas. Juntos, já realizaram mais de 600 procedimentos desde 2012, alcançando índices de desfechos superiores às médias estadual e nacional. Uma trajetória que permitiu consolidar protocolos para todas as etapas do cuidado, da avaliação para inclusão em lista ao acompanhamento ambulatorial pós-procedimento.

 

"O sucesso do transplante não depende apenas da cirurgia. Ele começa na seleção adequada do paciente, passa pelo procedimento e continua durante toda a vida, com acompanhamento especializado. Nosso compromisso é oferecer uma assistência integrada, baseada em experiência, segurança e cuidado centrado no paciente", acrescentou o coordenador do Programa de Transplante Hepático do Hcor, Dr. Francisco Sergi.

 

Transplante de Medula Óssea

 

Concomitantemente, o programa de Transplante de Medula Óssea (TMO) do Hcor já se encontra plenamente estruturado e qualificado. Composto por cerca de 30 especialistas em uma equipe multiprofissional, a modalidade chega credenciada para cobrir integralmente o escopo de transplantes de medula óssea, abrangendo os tipos autólogo, alogênico aparentado (haploidêntico e HLA idêntico) e alogênico não aparentado.

 

A demanda por tratamentos hematológicos no país também é uma crescente. Segundo a Estimativa 2026 do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 12.220 novos casos de leucemia neste ano, número 21% superior ao projetado uma década atrás – um crescimento que supera em ritmo o do aumento populacional no mesmo período. Em 2023, a doença foi responsável por 7.435 mortes no país, reforçando a urgência de ampliar o acesso a terapias de alta complexidade como o transplante de medula óssea. Entre as principais doenças que motivam esse tipo de procedimento estão leucemias, linfomas (como o não Hodgkin, que causou 4.860 óbitos em 2023, segundo o INCA) e o mieloma múltiplo.

 

"O transplante de medula óssea é uma das abordagens mais transformadoras da medicina, mas que exige um nível extremo de precisão, monitoramento contínuo e suporte multidisciplinar. Mais do que a viabilização do procedimento em si, nosso foco no Hcor está em oferecer uma jornada integral de segurança ao paciente e à sua família, do momento do diagnóstico e da busca pelo doador até a completa reabilitação do sistema imunológico. Iniciar este programa em um centro de excelência nos permite aliar o rigor científico ao cuidado verdadeiramente humanizado”, disse a Dra. Fernanda Lemos Moura Gallo, hematologista, hemoterapeuta e responsável técnica pelo Programa de Transplante de Medula Óssea do Hcor.

 

Estrutura consolidada

 

Além da infraestrutura já existente do Hcor para atendimento de pacientes de alta complexidade, o hospital inaugurou em janeiro de 2026 uma unidade dedicada ao transplante de medula óssea, com investimento de R$10,3 milhões. O espaço conta com 10 leitos com pressão positiva e negativa e filtros de ar condicionado especializados para a proteção de pacientes imunodeprimidos, em total conformidade com as diretrizes da Anvisa e do Ministério da Saúde.

 

Neste primeiro momento, os programas atenderão pacientes da saúde suplementar e particulares. A previsão é realizar os primeiros transplantes ainda em 2026. No programa hepático, a estimativa é realizar cerca de seis transplantes ainda em 2026 e, em 2027, alcançar uma média inicial de dois procedimentos por mês, com expansão gradual até aproximadamente 60 transplantes anuais. No programa de medula óssea, há a capacidade de realização de até 10 transplantes ao mês.

 

Embora o Brasil possua o maior sistema público de transplantes do mundo e seja referência internacional na área, a demanda por atendimento especializado permanece elevada. A ampliação da oferta de centros habilitados contribui para fortalecer a assistência aos pacientes com doenças graves e ampliar a capacidade de atendimento.

ANTT inicia procedimentos para suspensão de empresas que descumprem o piso mínimo do frete

    IA


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* Medida alcança empresas com histórico reiterado de contratação ou subcontratação por valores inferiores aos estabelecidos em lei

Redação/Hourpress

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) iniciou os procedimentos para a suspensão cautelar de empresas que descumprem reiteradamente a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. As empresas identificadas serão formalmente notificadas após análise individual de cada caso.

Os atos de suspensão do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) serão publicados no Diário Oficial da União e produzirão efeitos 72 horas após a publicação. A suspensão cautelar poderá variar de cinco a 30 dias.

A medida poderá ser aplicada às empresas que acumularem mais de quatro autuações, em datas distintas, no período de seis meses, quando houver risco concreto de continuidade da infração, prejuízo à fiscalização ou comprometimento da política do piso mínimo do frete.

Cargas

A atuação será conduzida pela Superintendência de Fiscalização de Serviços de Transporte Rodoviário de Cargas e Passageiros (Sufis) e pela Superintendência de Serviços de Transporte Rodoviário e Multimodal de Cargas (Suroc).

A fiscalização foi reforçada a partir da Medida Provisória nº 1.343/2026 e das Resoluções ANTT nº 6.077 e nº 6.078. As normas tornaram obrigatório o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) nas operações de transporte rodoviário remunerado de cargas e determinaram sua vinculação ao Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e), ampliando a rastreabilidade das operações.

Nas operações de carga lotação, o CIOT não é gerado quando o valor informado está abaixo do piso mínimo. Em caso de reincidência, após decisão administrativa definitiva, a suspensão poderá chegar a 45 dias. A repetição das irregularidades também poderá resultar no cancelamento do RNTRC por até dois anos e em multa majorada de até R$ 1 milhão.

As medidas de suspensão e cancelamento não se aplicam ao Transportador Autônomo de Cargas quando ele atua exclusivamente como contratado.


Quando quem julga deve responder à Lei

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* Uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República

Pedro Simon

 

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado Federal, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

 

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo. Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional. Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

 

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República — mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar. As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal expuseram, em todo o país, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos três Poderes da República.


Guardião

 

A recente deliberação do Supremo Tribunal Federal aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do Caso Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

 

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado Federal, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do Supremo Tribunal Federal por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da Mesa Diretora, sem parecer e sem votação.

 

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um Poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.


Lei

 

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o Supremo retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

 

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só Poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

 

Pedro Simon – Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura.

 

 







segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Inflação pressiona orçamento e faz brasileiro priorizar gastos essenciais

    Arquivo/Hourpress


Radiografia da Notícia

Mesmo com 71% de brasileiros otimistas sobre às finanças, apenas 38% dizem que sua renda está acompanhando a inflação* 

Quase metade dos consumidores reduziu gastos não essenciais, enquanto jovens da Geração Z lideram a intenção de buscar novo crédito

74% dos entrevistados possuem seu principal produto financeiro em um banco digital

Redação/Hourpress

A inflação persistente continua pressionando o orçamento das famílias brasileiras e já influencia decisões sobre consumo, dívidas e busca por crédito. É o que mostra o novo Estudo Consumer Pulse da TransUnion, empresa global de informações e insights que atua como datatech.

 

Segundo o levantamento realizado no segundo trismestre deste ano, 71% dos brasileiros estão otimistas em relação às suas finanças nos próximos 12 meses. Os dados, no entanto, coexistem com sinais de cautela. Apenas 38% dos entrevistados afirmam que a renda acompanhou a inflação no último trimestre, enquanto 62% dizem estar muito preocupados com a alta dos preços. A pressão é mais sentida em itens essenciais, como supermercado (74%), combustível (54%) e contas de consumo (52%).

 

“O brasileiro mantém o otimismo no longo prazo, mas o dia a dia exige um forte jogo de cintura. A inflação nos itens básicos força o consumidor a cortar o que é considerando como não essencial para equilibrar as contas”, aponta Helena Leite, especialista de mercado para o setor bancário da TransUnion Brasil.

 

Na prática, o aperto no orçamento tem levado os consumidores a rever prioridades. Quase metade dos entrevistados (49%) reduziu gastos não essenciais nos últimos três meses, como refeições fora de casa e viagens, enquanto 21% cancelaram ou diminuíram serviços digitais.

 

Diferenças entre gerações

O estudo também identifica diferenças relevantes entre gerações. Entre a Geração Z e Millennials, 78% disseram estar otimistas quanto às suas finanças para os próximos 12 meses, com 49% da Geração Z dizendo que solicitarão novos créditos nos próximos 12 meses, o maior número entre os grupos etários pesquisados. A Geração Z também afirmou que cancelou ou reduziu serviços digitais nos últimos três meses a mais do que todos os entrevistados (27% contra 21%) e que recorrreria a um empréstimo das FinTechs nos próximos 12 meses (24% contra 19% de todos os entrevistados).

 

Millennials, de 30 a 45 anos, disseram que usam fintechs, bancos digitais e modalidades como "compre agora, pague depois, BNPL" entre as gerações pesquisadas (59%), com o uso de crédito associado a um planejamento mais estruturado. Por outro lado, a Geração X e os Baby Boomers mantêm uma postura mais conservadora em relação às taxas de juros e endividamento: apenas 20% dos Boomers e 27% da Geração X planejam contratar novos créditos no próximo ano.

 

A pesquisa reforça ainda o avanço dos bancos digitais no relacionamento com os consumidores. Entre aqueles que já utilizam produtos de de um banco digital, FinTech ou provedor de BNPL, 74% afirmam que sua conta ou produto principal está em uma instituição digital, em comparação com 56% no segundo trimestre de 2025.

 

A preferência também aparece nas intenções futuras, com 62% dos entrevistados respondendo que priorizariam essas instituições ao buscar novas linhas de crédito. “A evolução da participação dos bancos digitais reflete uma transformação significativa na forma como os brasileiros se relacionam com o sistema financeiro. Conveniência, experiência e agilidade fizeram com que essas instituições deixassem de ser secundárias e passassem a ocupar o centro da vida financeira dos clientes”, destaca a especialista.

 

Metodologia

A pesquisa Consumer Pulse da TransUnion, que ouviu 959 adultos, foi realizada entre 29 de abril e 13 de maio de 2026 pela TransUnion em parceria com a empresa de pesquisa Dynata. A pesquisa abrangeu adultos com 18 anos ou mais residentes no Brasil, utilizando um painel de pesquisa online acessado por meio de computadores, dispositivos móveis e tablets. As perguntas foram aplicadas em inglês e português. Para aumentar a representatividade demográfica, foram estabelecidas cotas visando equilibrar as respostas em relação às estatísticas do censo quanto a idade, gênero, renda familiar e região. 


Nesta pesquisa, as gerações foram definidas da seguinte forma: Geração Z (18 a 29 anos), Millennials (30 a 45 anos), Geração X (46 a 61 anos) e Baby Boomers (62 anos ou mais). Os resultados não foram ponderados e são estatisticamente significativos, com um nível de confiança de 95% e margem de erro de ±3,2 pontos percentuais. Ressalta-se que, em alguns gráficos, a soma das porcentagens pode não totalizar 100% devido a arredondamentos ou à possibilidade de múltiplas respostas. Acesse o estudo completo aqui.