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terça-feira, 11 de outubro de 2022

Pesquisa: 60% dos mortos no trânsito são idosos

 Estudo da Fundación MAPFRE mostra a importância de oferecer uma mobilidade segura para o público sênior

Idosos: as maiores vítimas no trânsito


Redação/Hourpress

A Fundación MAPFRE divulga os dados de uma pesquisa inédita no Brasil sobre segurança viária e hábitos de deslocamento de pessoas idosas. Com o apoio técnico dos pesquisadores do CEBRAP (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), o estudo Adeus às chaves: perfil, segurança e o momento da transição traz informações sobre os modos de transporte relacionados às questões sociais.

Cerca de 5% a 13% das pessoas entre 60 e 70 anos apresentam uma diminuição expressiva da massa muscular. Já naqueles com 80 anos ou mais, a prevalência varia entre 11% e 50%. Essas perdas, então, podem acarretar numa diminuição da funcionalidade do indivíduo, aumentando o risco de acidentes e ocorrências no trânsito. “O ato de dirigir, para as pessoas idosas, é sinônimo de autonomia e independência para realizar atividades do dia a dia, como se locomover até o trabalho, ter momentos de lazer, autocuidado e saúde. Contudo, com o processo natural de envelhecimento, podem ocorrer perdas sensoriais e cognitivas importantes, que influenciam na capacidade do indivíduo idoso para dirigir”, afirma Fátima Lima, representante da Fundación MAPFRE no Brasil.

A pesquisa levantou dados das cidades de São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre, mostrando que mais de 70% dos idosos saíam de casa mais de três vezes por semana antes da pandemia e depois essa porcentagem cai para menos de 30%. Quando questionados sobre sair ou não de casa, praticamente todos os respondentes afirmaram ter o hábito de sair de casa antes da pandemia. Porém, no momento da pesquisa, mais de 10% afirmaram não sair mais de casa.

A capital baiana se destaca na pesquisa por ser a cidade com menor percentual de idosos que relataram sair de casa mais de três vezes por semana, apenas 16% durante a pandemia. Além disso, neste momento, 25% dos idosos de Salvador afirmam não saírem de casa.

Enquanto as ocorrências sem colisão ficam em menos de 10% entre os não idosos, entre as pessoas idosas essa proporção chega a 15%. Essas ocorrências são, principalmente, formadas por situações pessoais nas quais o indivíduo pode ter tido algum mal súbito, mas também por situações de queda em decorrência de infraestrutura ruim ou má sinalização.

Quando olhamos para os motivos de sair de casa, o trabalho era um dos motivos que mais aparecia para sair com frequência (mais de três vezes por semana) antes da pandemia, chegando a mais de 50% em algumas capitais como São Paulo, Recife e Porto Alegre. Com a pandemia, no momento da pesquisa, o mais comum se tornou não sair de casa para trabalhar, chegando a 73% as pessoas idosas que não saem de casa por esse motivo em Salvador. Vale ressaltar que tanto os idosos quanto os demais grupos da sociedade brasileira costumam trabalhar em empregos informais, que foram mais atingidos pela crise sanitária.

Como se movem para atividades de lazer?

Visitar parentes e amigos antes da pandemia era relativamente comum entre as pessoas idosas. Mais de 50% dos idosos em todas as cidades saíam para visitar parentes e amigos até três vezes por semana. Com a pandemia, 71% dos idosos em Salvador já não saem por esse motivo e 45% em Recife. Isso tem impacto tanto nos deslocamentos nas cidades quanto na sociabilidade e na rede de apoio das pessoas idosas, que ficam mais distantes dos familiares e amigos.

Já quando observamos os modos de transporte utilizados pelas pessoas idosas pelo menos uma vez por semana, o ônibus foi o que teve maior queda, chegando a ser utilizado por apenas 24% dos idosos em Porto Alegre. O uso de automóveis particulares e motos praticamente se manteve em todas as capitais analisadas.

Uso de taxi e aplicativos

O uso de taxi e aplicativos teve queda mais acentuada no Rio de Janeiro, passando de 45% para 23% das menções entre as pessoas idosas. Já a caminhada de pelo menos 500 metros, que já era mais mencionada pelas pessoas idosas, praticamente se manteve em todas as capitais. Se considerarmos que os idosos passaram a sair menos de casa, manter em porcentagens das caminhadas indica que esse hábito realmente continua sendo muito importante no dia a dia desta população.

A sensação de insegurança, como o medo de ser assaltado por exemplo, é um fator relevante na decisão dos idosos entre sair ou não de casa. Em todas as capitais, a quantidade de idosos que se sentem inseguros é alta. Em Recife, 64% dos entrevistados se diziam sempre ou quase sempre inseguros no momento da pesquisa. Em Salvador, quase metade dos idosos (47%) temem sair de casa, porcentual muito parecido com Rio de Janeiro (44%) e São Paulo (41%). A capital com menor número de idosos que relataram ter medo de sair de casa é Porto Alegre, com 34%.

 Mobilidade por gênero

As mulheres são minoria entre os habilitados a dirigir automóveis em todas as faixas etárias, mas conforme envelhecem, essa diferença vai ficando ainda mais acentuada, aponta pesquisa da Fundación MAPFRE em parceira com o CEBRAP. Entre os 31 e os 50 anos, elas são 44%. Depois disso, a proporção cai até 13% para 91 anos ou mais. Isso mostra uma contradição que merece detalhamento. As mulheres têm maior expectativa de vida e são maioria no topo da pirâmide etária brasileira, entretanto, a atividade de condução de automóveis esteve mais ligada historicamente aos homens e, por mais que isso mude em conjunto com outras variáveis ao longo dos anos nas questões de gênero, este momento da decisão sobre habilitação foi realizado décadas atrás, quando dirigir automóveis era uma atividade ainda mais masculina do que hoje.

Para ter acesso a pesquisa completa, acesse o link do site da Fundación MAPFRE:

https://documentacion.fundacionmapfre.org/documentacion/publico/pt/bib/180674.do?queryId=19232


terça-feira, 20 de setembro de 2022

Jornada 4 dias de trabalho: o que diz a legislação trabalhista?

Nos últimos meses, muito se foi falado sobre a jornada de quatro dias de trabalho nas empresas. Mas, afinal, isso é permitido?


O happy hour vai pegar folga trabalhando menos




Dra. Bruna Kauer

De acordo com a legislação trabalhista brasileira, não há impedimento legal para a adoção da semana de quatro dias. Em paralelo, apesar de não haver impedimento, é importante ressaltar que existe um teto máximo de 44 horas semanais, sendo 8 horas diárias trabalhadas que podem ser aplicadas. Caso o empregador opte por oferecer menos, é possível, desde que haja atenção com igualdade e justiça.

No caso de empresas que adotem este sistema, há uma tendência de se trabalhar de segunda à quinta, tendo um dia livre durante a semana. Nessa modalidade, a prática da hora extra para compensar o dia de folga adicional, geralmente, não ocorre, ou seja, trabalham-se 32 horas semanais.

Tarefas

Além disso, não há nenhuma modificação nos direitos básicos do trabalhador como FGTS, férias, seguro-desemprego por estar trabalhando em um modelo diferente do padrão, ou seja, o modelo diferente do tradicional não pode trazer prejuízos ao empregado.

O modelo, que reduz a carga horária de 40 horas para 32 horas semanais sem alteração de salário, exige um planejamento prévio com atenção à legislação trabalhista e à cultura organizacional. Além disso, para ter êxito em termos de gestão de pessoas e negócios, é necessário revisar metas, tarefas diárias e mensurar com frequência os resultados.

Os sindicatos podem auxiliar empresas e funcionários na construção do sistema de 4 dias de trabalho na semana. Cabe a eles, a proteção dos trabalhadores, alinhando com as empresas os termos para elaboração de novo contrato com os profissionais, com a redução da carga horária e manutenção dos direitos trabalhistas.

Pauta

A pandemia trouxe algumas atualizações para o sistema de trabalho global, como o home office. No Brasil, recentemente, a MP regulamenta este processo. É possível que vejamos mais mudanças ou flexibilizações neste sentido em um futuro próximo, visto que a semana de 4 dias de trabalho já é uma tendência em pauta há bastante tempo, sendo o assunto amplamente debatido entre organizações não-governamentais e agências focadas em melhorias de bem-estar para os colaboradores em geral.

*Dra. Bruna Kauer - Advogada  - Bacharel em Direito pela Universidade de São Francisco, em 2005, pós-graduanda em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Faculdade Legale .


A seguridade social e os idosos

 Números que aumentam constantemente, porque todos os dias são deferidos novos pedidos de aposentadoria por idade

    Pixabay

Há quase 30 milhões de pessoas idosas no Brasil


Wagner Balera


Quem são as pessoas idosas protegidas pelo universo da previdência, o único programa estatal de proteção social que existe no Brasil para esse contingente da população? Naturalmente, nesse artigo não cuidamos daqueles que atuam como servidores públicos, que dispõem de regime previdenciário próprio.

Eis os números da Previdência e Assistência Social brasileira, segundo dados oficiais de 2021, quanto aos que recebem aposentadoria por idade, portanto, aqueles que recebem o benefício porque completaram os anos necessários para terem direito à aposentadoria: no grupo urbano, são cerca de quatro milhões e oitocentas mil pessoas e, no rural, estão compreendidos 6,7 milhões de pessoas. Números que aumentam constantemente, porque todos os dias são deferidos novos pedidos de aposentadoria por idade.

Assemelhados a esse grupo, aí no plano assistencial e não de previdência, mas compreendendo a população dos idosos, são dois milhões e cem mil que recebem o BPC, o Benefício de Prestação Continuada (LOAS). Esses são os números da Previdência e Assistência Social brasileira.

Restrito

O número, embora expressivo, não é significativo. Há quase 30 milhões de pessoas idosas no Brasil. O total de beneficiários que mencionamos aqui, entre previdência e assistência, não chega a quatorze milhões, portanto, menos da metade do grupo protegido. A outra metade não tem nenhum tipo de proteção social dos regimes oficiais, dos regimes em que o Estado atua concretamente, concedendo benefício previdenciário ou assistencial. É um alerta para o futuro. Como ficarão as pessoas idosas diante da proteção social no futuro? O programa atual é bastante restrito.

O dado ainda mais angustiante é relativo ao valor médio dos benefícios que a Previdência Social paga, que não envolve só o grupo das pessoas idosas, mas todos os beneficiários do INSS.

Quanto, em dinheiro, o INSS paga por mês? Os números são assustadores. Esses benefícios, segundo dados do mês de março de 2022, representam, em média, R$ 1.629,23. Não, você não leu errado. É isso mesmo! A média é de mil, seiscentos e vinte nove reais. O segurado pagou por muitos anos e recebe, em média trezentos e quinze dólares por mês, ou seja, dez dólares por dia. Os benefícios assistenciais só têm o valor do salário-mínimo.

Federal

É evidente que os números da média dificilmente garantem as necessidades básicas como determina o artigo 6º da nossa Constituição Federal.

A nossa Carta Magna diz qual é o conteúdo mínimo dos direitos sociais: a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância e a assistência aos desamparados.

Intuitivamente sabemos que a média geral de R$ 1.629,23 não garante esses mínimos. É necessário, e mesmo urgente, que as pessoas idosas tenham resguardados os benefícios sociais tendo em vista, sobretudo, o avanço da longevidade.

Futuro

Eis a necessidade consensual, constatada em 2007, pelo grande celeiro de ideias essenciais em tema de previdência e assistência social que é a Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL) que já alertava para a dramática situação das pessoas idosas em breve futuro.

A obrigação de garantir um mínimo existencial para as pessoas é do Estado.

 Contudo, cada vez que houve uma reforma previdenciária – e já foram quatro desde a promulgação da Constituição, em 1988 –, não se debateu consensualmente sobre a fixação de idade mínima para a aposentadoria.

A título de ilustração, cumpre recordar o centenário da Lei Eloy Chaves, reformulada substancialmente em 1960, quando a sobrevida média do brasileiro já se encontrava nos 62 anos. Lá restou fixada a idade mínima: 55 anos. O indivíduo poderia obter aposentadoria a partir dessa idade de 55 anos, depois de 35 anos de trabalho.

Familiar

 A previsão, de conformidade com a vida média de então, consistia em expectativa de vida em 62 anos (média), destarte, o segurado poderia se aposentar aos 55 anos e viveria até 62 anos. Portanto, fruiria benefício por 7 anos em média. Também estava prevista, de acordo com as estatísticas, a geração da pensão para dependentes do segurado falecido. Tal benefício subsequente tinha duração média de oito anos. Destarte, a soma dos dois benefícios resultava em quinze anos enquanto o período contributivo fora de 35 anos. Eis a conta que se ajustava ao cálculo atuarial dos benefícios devidos ao conjunto familiar.

Ocorre que as pessoas estão vivendo mais tempo, e a conta atuarial não fecha.

Atualmente, o magno “problema” da longevidade, ainda que seja dado auspicioso, nos obriga a pensar com seriedade sobre o futuro da proteção social.

É só por meio do conhecimento, da educação financeira, previdenciária e atuarial que entenderemos a problemática e deixaremos de resistir a mudanças. Sem mudanças estruturais, não haverá futuro para a proteção, assim no Brasil como no mundo.

Poucos

Cabe registrar o caminho subsidiário da previdência complementar, apto a garantir um padrão de vida para as pessoas que conseguirem, ao longo da sua trajetória profissional, acumular reservas a fim de, no futuro, desfrutarem de aposentadorias e pensões aptas a proporcionar mais adequada manutenção do padrão de vida na fase pós-laborativa.

A cultura previdenciária, aos poucos, se forma e nos faz compreender que não é o Estado o único garantidor do nosso futuro.

Em breve, o Estado só poderá prover as necessidades básicas e, quem quiser, há de buscar, na previdência complementar, a poupança de longo prazo que lhe permita alcançar a idade avançada em condições dignas e saudáveis.

Wagner Balera é professor titular na Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Livre-docente e doutor em Direito Previdenciário pela mesma Universidade.

Nova proposta de cobrança de tributos: quais os impactos para as empresas?

 

A proposta prevê, na esfera administrativa, um prazo de dez dias para que o contribuinte, após ser intimado

    Pixabay

O apetite do leão está mais voraz a cada ano


Tiago Silva

Toda novidade legislativa deve ser comemorada, pois a muito se discute a necessidade de atualização de algumas normas que não retratam o dinamismo e realidade experimentados nos dias de hoje. Nesse cenário, uma das mais recentes atualizações esperadas, certamente, é aquela decorrente da famosa reforma tributária, projeto que tem como objetivo harmonizar uma colcha de retalhos costurada pela União Federal, Fazenda Estaduais e Municipais.

Seguindo este roteiro, surge a proposta de reforma da Lei de Execuções Fiscais (Lei nº. 6.830/80), a qual determina os requisitos formais na cobrança judicial de tributos, estabelecendo os direitos e garantias dos contribuintes e das Fazenda Públicas.

A proposta prevê, na esfera administrativa, um prazo de dez dias para que o contribuinte, após ser intimado, pague ou parcele a dívida, e de 20 vinte dias para peticionar requerendo a revisão da dívida ou apresentando uma garantia antecipada para futura discussão judicial. Nada sendo feito nos prazos mencionados, os entes estarão autorizados a iniciar uma cobrança mais rígida com a realização de protestos, inscrição no CADIN e outros órgãos, bem como realizar averbação pré-executória.

Crédito

Outra inovação está na criação da Execução Fiscal Administrativa, destinada para realização de cobrança de dívidas baixo de até 60 sessenta salários-mínimos para débitos de titularidade da União, e de até 40 salários-mínimos para os Estados e Municípios. Embora a “nova execução fiscal” esteja na esfera administrativa, as Fazendas Públicas terão autorização para realizar busca de bens e constrições de forma independente, sem a necessidade de intervenção do judiciário, com intenção de garantir meios para satisfação de seu crédito.

Por sua vez, a Execução Fiscal Judicial passaria por uma atualização, pois a proposta prevê que o bloqueio de bens e ativos dos devedores poderá ser determinado no início do processo, antes mesmo da citação do devedor ou de oportunizada a realização de garantia da dívida no processo.

É certo que referida legislação precisa ser atualizada, mas o foco não pode ser somente para garantir uma maior efetividade na cobrança dos tributos. Ela deve se preocupar também em entregar uma nova norma que proteja o núcleo patrimonial dos contribuintes, evitando-se a continuidade de abusos.

Processo

Assim, espera-se que a nova legislação traga soluções para impedir novos casos em que se exige a realização de garantia ou depósito do valor integral da dívida para poder comprovar que já foi paga – ou ainda, para impedir a invasão no patrimônio dos sócios, inclusive com a decretação de indisponibilidade de seus bens, em casos que a dívida está integralmente garantida por dinheiro depositado em conta vinculada ao processo.

Mais uma vez, é ligado o alerta das empresas, departamentos fiscais/contábeis e de advogados, pois somente com o devido controle e gestão dos temas tributários que será possível afastar excessos e ilegalidades que possam surgir.

Tiago Silva é advogado do escritório Marcos Martins Advogados.

Qual sua importância para uma gestão corporativa de destaque?

 Vantajoso por si só na otimização de tempo e economia de recursos financeiros

Pixabay



Marcelo Erthal

A fundamentalidade em promover uma governança pautada nos âmbitos ambiental, social e governamental – integrantes da prática ESG – já está mais do que disseminada ao redor do mundo. Muito além do que garantir a conformidade legislativa, sua implementação permite uma melhor imagem da marca no mercado, um aperfeiçoamento das operações e uma gestão mais assertiva. Dentre todos os seus pontos de mudança, o compliance vem se mostrando como um dos mais importantes para o fortalecimento do negócio, em prol da criação de uma cultura íntegra e seu crescimento sadio.

Quando conduzido com o apoio de sistemas modernos e completos, um programa de compliance contribui para uma definição clara e objetiva das políticas internas e externas da companhia, reduzindo as chances de riscos que possam prejudicar suas operações e auxiliando na consonância legal e fiscal. Com uma importância aguçada para um bom desempenho corporativo, hoje, cerca de 80% das empresas nacionais já possuem um departamento voltado para essa tarefa, segundo dados compartilhados pelo IBGE.

Vantajoso por si só na otimização de tempo e economia de recursos financeiros, sua união ao terceiro pilar do ESG serve como um potencializador desta terceira prática para uma governança corporativa eficaz. Ainda, seu investimento conjunto é capaz de favorecer a implementação dos outros pilares deste termo, inserindo práticas ambientais e sociais cada vez mais na rotina da companhia e em sua postura perante seu público-alvo.

Objetivos

Em uma frente de atuação imensa, a governança de compliance serve como uma ponte de adequação corporativa às leis sobre meio ambiente e questões sociais, como inclusão, acessibilidade e diversidade. Quando planejadas corretamente, impulsionarão este fomento internamente, abrindo portas para o desenvolvimento de uma empresa mais ecológica, com atuação social efetiva e segura em seu cumprimento com os objetivos regulatórios.

Em um estudo conduzido pela Fundação Tide Setubal e Instituto Sivis, cerca de 62% dos empresários acreditam que o compliance e as práticas de governança são os assuntos prioritários na incorporação do ESG ao negócio. Se tratando, especificamente, das empresas de grande porte, esse percentual é ainda maior, ultrapassando a marca dos 78%. Sua valorização em organizações dos mais diversos portes e segmentos é incontestável – mas, é importante ressaltar que sua aplicação depende, obrigatoriamente, de um aprendizado contínuo monitorado pelos gestores.

Para que construa esses pilares de forma sólida, a criação de uma política de compliance objetiva e sua disseminação entre todos os times é imprescindível, garantindo que todos tenham consciência da importância desta aplicação e, acima de tudo, seu acompanhamento constante para garantir que as ações adotadas estão gerando os efeitos desejados. Caso algum problema seja identificado, sua solução deve ser aplicada o mais rápido possível, evitando gaps que atrapalhem o crescimento da companhia.

Social

Assim como qualquer outra estratégia adotada, o fortalecimento do pilar de governança pautado pelo compliance precisa seguir uma diretriz clara, monitorada de perto a fim de incorporar, caso necessárias, práticas complementares que garantam melhorias contínuas ao empreendimento. Com essas ações priorizadas, a gestão do negócio certamente será capaz de alavancar a marca frente a seus concorrentes, destacada por sua condução sustentável, social e legislativamente adequada.

Marcelo Erthal é CEO do clickCompliance, startup de tecnologia para gestão de compliance.

 

Mercado de moda e artesanato vai movimentar R$ 258 bilhões este ano

 Bazar Criativo da Esamc-Santos une as principais tendências dos dois segmentos no próximo dia 22 de setembro

Divulgação
O evento, aberto ao público, é organizado pelos estudantes da Esamc


Redação/Hourpress

O mercado de moda no Brasil deve movimentar este ano R$ 208 bilhões, média de R$ 17 bilhões por mês, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Já o setor de artesanato registra faturamento médio de R$ 50 bilhões ao ano no país, R$ 4 bilhões ao mês, e é fonte de renda para 10 milhões de brasileiros, conforme dados do IBGE de 2019.

 

O Bazar Criativo da Esamc-Santos une as principais tendências dos dois segmentos no próximo dia 22 de setembro, às 20h, no Pátio da faculdade. O evento, aberto ao público, é organizado pelos estudantes da Esamc, da disciplina de Produção de Moda e Desfiles. O bazar terá expositores da região de variados nichos, como vestuário, acessórios, gastronomia e beleza, entre outros.

 

A finalidade do projeto é arrecadar recursos para o desfile anual Esamc Fashion Trend, que volta a acontecer presencialmente este ano em sua sétima edição. Segundo a professora da Esamc Santos dos Eixos de Comunicação e Negócios, Carolina Carpinelli Caetano, os alunos de Produção de Moda e Desfiles participam de todo o processo de organização do Bazar, estruturam o evento, buscam expositores, arquitetam como será o espaço e fazem a divulgação, em um processo conjunto.


Educadores

 

Participam do evento estudantes de outras áreas, como Publicidade e Design. O curso de Jornalismo promove a cobertura do evento e professores da área de audiovisual levam seus alunos para registrarem fotos e vídeos. Neste ano, o pessoal de Arquitetura vai contribuir mapeando o bazar e haverá a apresentação da banda Arquivo Nacional, do professor da faculdade Sérgio Cruz. O staff reúne cerca de 50 pessoas, entre universitários, educadores e funcionários da Esamc.

 

O Bazar Criativo da Esamc-Santos acontece desde 2015 e já se tornou tradição na universidade. “É um evento importante, pois, além de aproximar toda a comunidade da Esamc, dá oportunidade para novos criadores, alunos e não alunos, de mostrar seu trabalho, conhecer pessoas e conversar com o público que consome itens criativos. Conseguimos também aproximar os alunos dos professores”, afirma Carolina.

 

Teoria na prática

 

A professora explica que os alunos vivenciam na prática a disciplina de Produção de Moda e Desfiles, voltada justamente para a organização de desfiles e editoriais de moda. De acordo com ela, a teoria é aprendida na sala de aula e nos eventos, o Bazar e o Desfile, os alunos têm a oportunidade de praticar o que foi exposto durante o semestre, com orientação dos professores. “Fazemos um trabalho interdisciplinar, agregando outras disciplinas”, afirma.

 

O evento também permite uma aproximação maior da faculdade com a comunidade em geral e possibilita a divulgação de talentos da universidade. “Faz com que todos conheçam um pouco da produção dos alunos expositores”, aponta Carolina. Ela explica que o Bazar Criativo é um aquecimento para o desfile Esamc Fashion Trend, que apresenta criações dos estudantes na passarela.

 

“Organizando um evento menor, os alunos obtêm experiência e conseguem estruturar melhor o Desfile”, comenta a professora. Segundo ela, o desfile Esamc Fashion Trend é divulgado durante o Bazar Criativo para levar a proposta a um público maior. O Bazar conta ainda com participação de ex-alunos que participaram de desfiles anteriores e abriram seus próprios negócios.

 

Bazar Criativo Esamc 2022

22 de setembro, quinta-feira

Às 20h

Pátio da Faculdade Esamc, na Rua Maestro Heitor Villa Lobos, 87, Portal da Praia, Santos

 

Conheça dez sinais de câncer colorretal

Apesar do tumor ser mais comum a partir dos 50 anos, estudos mostram que diagnóstico cresce anualmente nos mais jovens; Oncologista alerta sobre a importância do tratamento precoce


Pixabay

Este tipo de câncer aumenta com o avanço da idade



Redação/Hourpress
 

O mês de setembro, conhecido pela conscientização contra o câncer colorretal, e que leva a cor verde, traz um alerta fundamental: a importância do diagnóstico e tratamento precoce. De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), é estimado que no triênio 2020-2022 haja 20.520 casos da doença em homens e 20.470 em mulheres a cada ano. A neoplasia está ainda na lista dos três tipos de câncer que mais atingem os brasileiros, causando aproximadamente 20.578 mil óbitos em 2020.
 

Com uma maior incidência a partir dos 50 anos, podendo aumentar com o avanço da idade, o tumor colorretal se desenvolve no intestino grosso, também chamado de cólon, ou em sua porção final, no reto. Vale lembrar ainda que o principal tipo de tumor colorretal é o adenocarcinoma e, em 90% dos casos, ele se origina a partir de pólipos na região que, se não identificados e removidos, podem sofrer alterações ao longo dos anos, tornando-se cancerígenos.
 

No entanto, é preciso olhar também para o diagnóstico em pessoas mais jovens. Um dos estudos científicos que embasam a argumentação foi publicado no Journal of the National Cancer Institute e realizado nos Estados Unidos de 1974 até 2013. A análise mostrou que nas pessoas entre 20 a 39 anos de idade, por exemplo, o número de novos casos de câncer de intestino vem crescendo, de 1% para 2,4% anualmente, desde a década de 1980. Já a incidência do câncer de reto tem se elevado mais rapidamente (aproximadamente 3,2% ao ano, de 1974 à 2013 nas pessoas entre 20 e 29 anos de idade).
 

De acordo com o Dr. Artur Ferreira, oncologista da Oncoclínicas em São Paulo, é muito importante que a população conheça os sinais do câncer colorretal e procure por um especialista o quanto antes. "Apesar da doença muitas vezes ser silenciosa, o paciente deve observar se há alteração nos hábitos intestinais, como constipação, diarreia, ou estreitamento do calibre das fezes, ausência da sensação de alívio após a evacuação, como se nem todo conteúdo fecal fosse eliminado, sangue nas fezes, cólicas, dor abdominal, perda de peso sem motivo aparente, fraqueza e sensação de fadiga", explica.
 

É possível prevenir?

Dentre os fatores de risco do câncer colorretal, é possível observar uma relação com os hábitos alimentares e de vida, além de condições prévias de saúde. Como forma de prevenção, o oncologista reforça que é necessário seguir algumas orientações.
 

"Deve-se investir em uma dieta rica em fibras e uma menor ingesta de carnes vermelhas, processadas, praticar atividades físicas, evitar bebidas alcoólicas e tabagismo e manter um peso saudável. Além disso, é importante investigar se o paciente possui doenças inflamatórias intestinais crônicas, como a doença de Crohn ou colite ulcerativa, além do histórico familiar de casos de câncer colorretal", explica Artur Ferreira.
 

Como o diagnóstico é feito?

Antes de tudo, o oncologista irá analisar o histórico do paciente e se existem possíveis sinais de risco para a doença. Em seguida, para que o diagnóstico seja de fato definido, é necessário a realização de exames, sendo o primeiro deles a avaliação física. Nela, o médico irá palpar o abdômen em busca de algum tipo de anormalidade, tais como órgãos aumentados ou massas no local e, em alguns casos, realizar o exame digital retal. Com o dedo protegido por uma luva lubrificada, o médico irá avaliar se existe alguma tumoração no reto do paciente. "Além do exame físico, para confirmar o diagnóstico, deve ser solicitado o exame de colonoscopia para a realização da biópsia de áreas suspeitas. Uma vez confirmado o diagnóstico, exames como a tomografia computadorizada, ressonância magnética, exames de sangue e, em alguns casos, o PET SCAN, devem ser realizados", comenta.

 

Com estes exames, o médico irá avaliar também em qual estadio o câncer colorretal é classificado. Segundo o oncologista, essa informação é fundamental para determinar os passos do tratamento e entender se há ou não o comprometimento de outros órgãos.

  • Estádio I -- tumor confinado às partes mais superficiais do intestino, tais como a mucosa, submucosa ou a camada muscular do cólon ou do reto e sem comprometimento dos linfonodos regionais (gânglios);
  • Estádio II -- tumor confinado à serosa que reveste o cólon ou reto ou que atinge órgãos vizinhos, mas sem comprometimento dos linfonodos regionais;
  • Estádio III -- tumor que compromete os linfonodos próximos ao cólon ou reto, independente de sua extensão local;
  • Estádio IV -- tumor que compromete órgãos à distância (metástases).
     

Tratamento

Na maioria dos casos, felizmente o câncer colorretal é potencialmente curável. No entanto, é essencial que o diagnóstico aconteça precocemente, aumentando assim o sucesso do tratamento. "A equipe multidisciplinar irá avaliar cada caso à parte, adotando quais serão as estratégias e opções disponíveis para o paciente", comenta o oncologista da Oncoclínicas em São Paulo.

Os tratamentos para a neoplasia podem ser definidos em dois tipos:

  • Tratamentos locais (cirurgia, radioterapia, embolização e ablação): agem diretamente no tumor primário ou em metástases isoladas, sem afetar o restante do corpo. Portanto, podem ser indicados tanto nos casos iniciais quanto nas fases mais avançadas da doença.
  • Tratamentos sistêmicos (quimioterapia, imunoterapia ou terapias-alvo): Podem ser realizados por drogas orais (comprimidos) ou endovenosas (na veia), aplicando diretamente na corrente sanguínea. Também podem ser indicados tanto nos casos precoces quanto avançados da doença

Vale lembrar ainda que o câncer colorretal é uma neoplasia que pode ser evitada enquanto estiver na fase pré-cancerosa. O procedimento consiste na retirada dos pólipos intestinais, através da colonoscopia, que podem surgir na parede interna do intestino grosso e reto.
 

"Diferentemente do câncer de mama, por exemplo, onde a doença é identificada geralmente em fase inicial com os exames de rotina, o tumor colorretal pode ser descoberto na fase pré-cancerosa com a colonoscopia. A boa notícia é que quando as lesões são precocemente removidas, o aparecimento do câncer pode ser evitado", finalizou.