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Hcor inicia transplantes de fígado e de medula óssea e amplia atuação em alta complexidade

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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Hcor inicia transplantes de fígado e de medula óssea e amplia atuação em alta complexidade

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Radiografia da Notícia

Hospital passa a realizar dois dos procedimentos mais complexos da medicina com equipes altamente especializadas e habilitadas pelo Ministério da Saúde 

Redação/Hourpress

O Hcor continua investindo em sua estratégia de consolidação como hospital de alta complexidade e acaba de receber habilitação do Ministério da Saúde para iniciar seus Programas de Transplante Hepático e de Transplante de Medula Óssea (Células Progenitoras Hematopoéticas) A nova frente expande a atuação da instituição e reforça seu posicionamento em especialidades além da Cardiologia. A expectativa é realizar os primeiros procedimentos ainda em 2026 e, gradualmente, ampliar a capacidade de atendimento.

 

"Os transplantes hepático e de medula óssea reúnem alguns dos maiores desafios da medicina moderna, porque exigem excelência técnica, infraestrutura altamente especializada e integração entre diferentes equipes assistenciais. Com essas novas habilitações, ampliamos nossa capacidade de atender pacientes com doenças hepáticas avançadas e afecções hematológicas graves, reforçando a estratégia do Hcor de oferecer cuidado de alta complexidade em diferentes especialidades", afirmou o Dr. Alexandre Biasi, superintendente Médico, de Ensino e Pesquisa do Hcor.

 

Transplante Hepático

 

O início do serviço ocorre em um momento de aumento da mortalidade por doenças hepáticas no Brasil. Um estudo publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Américas (2024) mostra que essas condições foram responsáveis por cerca de 3% de todas as mortes registradas no país em 2020, o equivalente a um em cada 33 óbitos, e que a taxa de mortalidade vem crescendo nas últimas décadas. Entre as doenças mais fatais, estão câncer de fígado, doença hepática relacionada ao álcool, cirrose e fibrose hepática, insuficiência hepática e hepatites virais crônicas.

 

Para caminhar nesse cenário, a equipe médica responsável apresenta sólida experiência nas respectivas áreas. Juntos, já realizaram mais de 600 procedimentos desde 2012, alcançando índices de desfechos superiores às médias estadual e nacional. Uma trajetória que permitiu consolidar protocolos para todas as etapas do cuidado, da avaliação para inclusão em lista ao acompanhamento ambulatorial pós-procedimento.

 

"O sucesso do transplante não depende apenas da cirurgia. Ele começa na seleção adequada do paciente, passa pelo procedimento e continua durante toda a vida, com acompanhamento especializado. Nosso compromisso é oferecer uma assistência integrada, baseada em experiência, segurança e cuidado centrado no paciente", acrescentou o coordenador do Programa de Transplante Hepático do Hcor, Dr. Francisco Sergi.

 

Transplante de Medula Óssea

 

Concomitantemente, o programa de Transplante de Medula Óssea (TMO) do Hcor já se encontra plenamente estruturado e qualificado. Composto por cerca de 30 especialistas em uma equipe multiprofissional, a modalidade chega credenciada para cobrir integralmente o escopo de transplantes de medula óssea, abrangendo os tipos autólogo, alogênico aparentado (haploidêntico e HLA idêntico) e alogênico não aparentado.

 

A demanda por tratamentos hematológicos no país também é uma crescente. Segundo a Estimativa 2026 do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 12.220 novos casos de leucemia neste ano, número 21% superior ao projetado uma década atrás – um crescimento que supera em ritmo o do aumento populacional no mesmo período. Em 2023, a doença foi responsável por 7.435 mortes no país, reforçando a urgência de ampliar o acesso a terapias de alta complexidade como o transplante de medula óssea. Entre as principais doenças que motivam esse tipo de procedimento estão leucemias, linfomas (como o não Hodgkin, que causou 4.860 óbitos em 2023, segundo o INCA) e o mieloma múltiplo.

 

"O transplante de medula óssea é uma das abordagens mais transformadoras da medicina, mas que exige um nível extremo de precisão, monitoramento contínuo e suporte multidisciplinar. Mais do que a viabilização do procedimento em si, nosso foco no Hcor está em oferecer uma jornada integral de segurança ao paciente e à sua família, do momento do diagnóstico e da busca pelo doador até a completa reabilitação do sistema imunológico. Iniciar este programa em um centro de excelência nos permite aliar o rigor científico ao cuidado verdadeiramente humanizado”, disse a Dra. Fernanda Lemos Moura Gallo, hematologista, hemoterapeuta e responsável técnica pelo Programa de Transplante de Medula Óssea do Hcor.

 

Estrutura consolidada

 

Além da infraestrutura já existente do Hcor para atendimento de pacientes de alta complexidade, o hospital inaugurou em janeiro de 2026 uma unidade dedicada ao transplante de medula óssea, com investimento de R$10,3 milhões. O espaço conta com 10 leitos com pressão positiva e negativa e filtros de ar condicionado especializados para a proteção de pacientes imunodeprimidos, em total conformidade com as diretrizes da Anvisa e do Ministério da Saúde.

 

Neste primeiro momento, os programas atenderão pacientes da saúde suplementar e particulares. A previsão é realizar os primeiros transplantes ainda em 2026. No programa hepático, a estimativa é realizar cerca de seis transplantes ainda em 2026 e, em 2027, alcançar uma média inicial de dois procedimentos por mês, com expansão gradual até aproximadamente 60 transplantes anuais. No programa de medula óssea, há a capacidade de realização de até 10 transplantes ao mês.

 

Embora o Brasil possua o maior sistema público de transplantes do mundo e seja referência internacional na área, a demanda por atendimento especializado permanece elevada. A ampliação da oferta de centros habilitados contribui para fortalecer a assistência aos pacientes com doenças graves e ampliar a capacidade de atendimento.

ANTT inicia procedimentos para suspensão de empresas que descumprem o piso mínimo do frete

    IA


Radiografia da Notícia

Medida alcança empresas com histórico reiterado de contratação ou subcontratação por valores inferiores aos estabelecidos em lei

Redação/Hourpress

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) iniciou os procedimentos para a suspensão cautelar de empresas que descumprem reiteradamente a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. As empresas identificadas serão formalmente notificadas após análise individual de cada caso.

Os atos de suspensão do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) serão publicados no Diário Oficial da União e produzirão efeitos 72 horas após a publicação. A suspensão cautelar poderá variar de cinco a 30 dias.

A medida poderá ser aplicada às empresas que acumularem mais de quatro autuações, em datas distintas, no período de seis meses, quando houver risco concreto de continuidade da infração, prejuízo à fiscalização ou comprometimento da política do piso mínimo do frete.

Cargas

A atuação será conduzida pela Superintendência de Fiscalização de Serviços de Transporte Rodoviário de Cargas e Passageiros (Sufis) e pela Superintendência de Serviços de Transporte Rodoviário e Multimodal de Cargas (Suroc).

A fiscalização foi reforçada a partir da Medida Provisória nº 1.343/2026 e das Resoluções ANTT nº 6.077 e nº 6.078. As normas tornaram obrigatório o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) nas operações de transporte rodoviário remunerado de cargas e determinaram sua vinculação ao Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e), ampliando a rastreabilidade das operações.

Nas operações de carga lotação, o CIOT não é gerado quando o valor informado está abaixo do piso mínimo. Em caso de reincidência, após decisão administrativa definitiva, a suspensão poderá chegar a 45 dias. A repetição das irregularidades também poderá resultar no cancelamento do RNTRC por até dois anos e em multa majorada de até R$ 1 milhão.

As medidas de suspensão e cancelamento não se aplicam ao Transportador Autônomo de Cargas quando ele atua exclusivamente como contratado.


Quando quem julga deve responder à Lei

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Radiografia da Notícia

* Uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República

Pedro Simon

 

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado Federal, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

 

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo. Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional. Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

 

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República — mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar. As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal expuseram, em todo o país, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos três Poderes da República.


Guardião

 

A recente deliberação do Supremo Tribunal Federal aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do Caso Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

 

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado Federal, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do Supremo Tribunal Federal por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da Mesa Diretora, sem parecer e sem votação.

 

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um Poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.


Lei

 

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o Supremo retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

 

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só Poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

 

Pedro Simon – Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura.