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segunda-feira, 21 de outubro de 2024

Alimentos podem ajudar a prevenir o câncer de mama

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Radiografia da Notícia

Especialista em Nutrição do Ceub defende a alimentação saudável como combate eficaz contra a doença 

* Tem como foco conscientizar a população sobre o cuidado integral do câncer de mama e do colo do útero

As bebidas com altos teores de açúcar e bebidas alcoólicas também são prejudiciais e devem ser evitadas

Redação/Hourpress

O câncer de mama é o mais comum entre as mulheres no Brasil e a prevenção, com o diagnóstico precoce, é essencial para reduzir a ocorrência e a mortalidade em decorrência da doença. A campanha Outubro Rosa de 2024 tem como foco conscientizar a população sobre o cuidado integral do câncer de mama e do colo do útero, incentivando práticas de saúde e a detecção precoce.

Ana Salomon, professora de Nutrição do Centro Universitário de Brasília (CEUB), destaca que a alimentação saudável é um fator determinante na prevenção da doença. Segundo ela, adotar hábitos alimentares equilibrados e realizar exames periódicos podem fazer toda a diferença na prevenção do câncer.

 Confira entrevista na íntegra:

Quais alimentos são os vilões da alimentação para as mulheres?

AS: Dentre os alimentos considerados inadequados, estão os fast foods, alimentos ultraprocessados, que contêm quantidades elevadas de gorduras saturadas e açúcar, além de gorduras trans – que não devem ser consumidas em quantidade alguma. O consumo elevado de carnes vermelhas (mais de 500 g de carne por semana), bem como das gorduras das carnes (gordura aparente, peles e couro) também impacta na saúde feminina e na produção de hormônios, interferindo de forma negativa na amamentação e na própria fertilidade. As bebidas com altos teores de açúcar e bebidas alcoólicas também são prejudiciais e devem ser evitadas.

 Existem grupos de alimentos cancerígenos que devemos banir da alimentação?

AS: Peixes em salga, carnes em conserva e embutidos devem ser evitados por aumentarem o risco para câncer. Além, é claro, dos alimentos ricos em açúcar e gordura. O mesmo deve ser considerado para as bebidas açucaradas e bebidas alcoólicas, que devem ser igualmente evitadas.

 Quais alimentos ajudam o corpo a funcionar melhor e prevenir o surgimento de câncer?

AS: Os alimentos ricos em fibras, como as frutas, legumes e verduras e cereais integrais que, além das fibras, são compostos por vitaminas e minerais antioxidantes que protegem o corpo contra os efeitos danosos dos fatores ambientais a que estamos expostos, como a poluição e a fumaça oriunda das queimadas, dentre outros agentes ambientais prejudiciais.

Dentre os vegetais, destaco o consumo dos vegetais não amiláceos: cenoura, beterraba, aipo, nabo, assim como vegetais verdes, folhosos (como espinafre e alface); vegetais crucíferos (brócolis, repolho e agrião); e do gênero allium, como cebola, alho e alho-poró. As batatas e tubérculos (inhame, cará, mandioca) devem ser consumidos com moderação, por conterem teores mais elevados de energia e carboidratos, o que pode contribuir para o aumento de gordura corporal que, quando localizada em abdome, promove o aumento de risco cardiovascular e de alguns tipos de câncer.

Quanto às frutas, vale reforçar a importância do consumo de frutas de cores diferentes (por exemplo, vermelha, verde, amarela, branca, roxa e laranja), para garantir um aporte adequado de vitaminas e minerais. Assim, a grande base da alimentação deve ser composta por grãos integrais, vegetais não amiláceos, frutas e leguminosas (como feijão, soja, grão de bico, lentilha ou ervilha fresca).

 

Quais substâncias benéficas encontradas nos alimentos que preservam a saúde da mulher, em especial?

AS: Vitaminas, minerais e fibras, que atuam mantendo o equilíbrio corporal, evitam o estresse oxidativo (que favorece o câncer) e promovem um funcionamento intestinal normal. Segundo o INCA, não existe benefício em substituir as fontes alimentares desses nutrientes por suplementos vitamínicos e minerais que, além de não gerarem o mesmo efeito (por não conterem todas as substâncias que os alimentos possuem), podem aumentar o risco para certos tipos de câncer, quando consumidos em doses excessivas (principalmente sem a orientação e prescrição de um médico ou nutricionista).

 

Qual é a relação entre os alimentos orgânicos e os alimentos vendidos em mercados tradicionais. Dá para manter uma dieta equilibrada e de baixo custo?

AS: Os alimentos orgânicos têm a vantagem de não demandarem a utilização de agrotóxicos, que causam prejuízos nas células, aumentando o risco para câncer. É possível manter uma dieta equilibrada e de menor custo quando adquirimos esses alimentos de produtores locais que, por não precisarem da intermediação de comerciantes, conseguem manter os preços mais acessíveis.

 

Quais as gorduras podem e devem ser consumidas para a boa saúde feminina?

AS: As melhores gorduras são aquelas provenientes de fontes vegetais, com exceção de gordura de coco e palma. As gorduras de melhor qualidade se mantêm na forma líquida na temperatura ambiente, como os óleos vegetais e o óleo de peixe. Já as gorduras mais prejudiciais se mantêm mais pastosas em temperatura ambiente (como a gordura do coco). Exemplos de boas gorduras são o azeite de oliva, as gorduras presentes em frutas (como o abacate), oleaginosas (castanhas, amendoim, amêndoas, nozes, entre outras) e sementes (girassol, gergelim, entre outras).

 

Os laticínios são boas opções dentro dessa proposta de alimentação saudável?

AS: São, sim. Especialmente porque o leite e seus derivados são boas fontes de cálcio, entre outros minerais e vitaminas. Devem ser escolhidas as opções com menores teores de gorduras, que são os desnatados ou semidesnatados.

 

Existe alguma suplementação ou reposição capaz de evitar o aparecimento dessas doenças?

AS: Não existem pesquisas que comprovem que suplementos são boas opções para a substituição do alimento em si, o que é reforçado pelo INCA. Na realidade, um suplemento utilizado sem a prescrição de um profissional habilitado pode inclusive prejudicar o funcionamento do corpo e aumentar o risco de câncer.

Assim, não é indicado o uso de suplementos para a prevenção de doenças. O que se indica é a realização de um acompanhamento regular com o médico e o nutricionista, que, na suspeita de alguma deficiência, solicitarão exames e, caso seja comprovada, farão a reposição específica de nutrientes em deficiência.

 Qual recado você gostaria de deixar às mulheres, em relação ao cuidado com a alimentação e a prevenção de doenças?

AS: Uma alimentação saudável, que inclui preparações à base de alimentos naturais e que contemple variedade e quantidade corretas de frutas, verduras e legumes (no mínimo 400 gramas ao dia ou 5 porções), além de cereais integrais, é fundamental para manter um estado nutricional adequado e para prevenir vários tipos de doenças. E não só isso: garantir o consumo de uma alimentação saudável é garantir um futuro saudável, com qualidade de vida!


Quem tem artrite pode fazer exercícios físicos?

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Radiografia da Notícia

* Reumatologista e educador físico do Cejam esclarecem a questão e oferecem dicas para aliviar as dores e promover o bem-estar por meio de atividades físicas

Embora seja mais frequente em mulheres entre 30 e 40 anos, a doença pode afetar pessoas de qualquer idade

Atualmente, essa condição atinge cerca de 2 milhões de brasileiros

Redação/Hourpress

As doenças reumáticas afetam mais de 38 milhões de pessoas em todo o mundo, com 15 milhões de casos registrados no Brasil. Entre os tipos mais prevalentes estão as artrites, sendo a artrite reumatoide uma das mais comuns. Atualmente, essa condição atinge cerca de 2 milhões de brasileiros, conforme dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia.

Embora seja mais frequente em mulheres entre 30 e 40 anos, a doença pode afetar pessoas de qualquer idade, inclusive crianças. Pensando nisso, o Dia Mundial da Artrite Reumatoide, celebrado em 12 de outubro, tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico e dos cuidados adequados.

“A Artrite reumatoide é uma doença inflamatória crônica que se inicia com dor, calor, edema, extensão e limitações de movimento, principalmente nas articulações das mãos, punhos, pés, tornozelos, joelhos e coluna cervical", explicou Márcia Veloso, reumatologista do Cejam - Centro de Estudos e Pesquisas "Dr. João Amorim”.

Vida

Os sintomas mais comuns ainda incluem desconforto, especialmente nas primeiras horas do dia, rigidez, inchaço e fadiga excessiva. Ainda que seja uma condição sem cura, o tratamento adequado, aliado a hábitos saudáveis, permite controlar as ocorrências e melhorar significativamente a qualidade de vida.

"Se a pessoa notar a presença de alguns desses sintomas por um período superior a seis semanas, é crucial buscar ajuda de um reumatologista, pois pode ser um indicativo de Artrite Reumatoide. É preciso alertar que esse quadro, sem o tratamento adequado, tende a resultar em perda de movimento nas áreas afetadas e atrofia muscular regional”, afirma a médica. 

Ela explica que, de início, além do tratamento medicamentoso é extremamente necessário adotar medidas complementares como fisioterapia e terapia ocupacional para preservar a mobilidade e a funcionalidade das articulações. No entanto, à medida que os sintomas passam a melhorar, a prática regular de atividades físicas se torna igualmente crucial e faz toda a diferença.

Quadro

Muitos pacientes com o diagnóstico temem que a realização de atividades físicas possa piorar a dor ou trazê-la de volta, mas a ciência atesta o contrário. “A maioria das atividades físicas melhora a circulação sanguínea, incrementa a mobilidade e fortalece os músculos, o que é particularmente benéfico para quem tem problemas nas articulações. Esse quadro reduz a sobrecarga nas áreas afetadas”, complementou Washington de Souza, profissional de educação física do Cejam.

Entre as atividades recomendadas por ele estão exercícios de baixo impacto, como caminhadas e atividades aquáticas. “A caminhada favorece a circulação sanguínea e diminui o desconforto. Já a natação e a hidroginástica minimizam o impacto, permitindo que os pacientes se exercitem sem sentir dor intensa”, ressaltou.

Outras práticas como alongamento, pilates e yoga também são indicadas, pois, além de melhorarem a flexibilidade e fortalecerem músculos específicos, ajudam a aliviar a dor e melhoram a mobilidade. 

Dor

O profissional destaca que a musculação e o treinamento funcional com pesos ou elásticos, quando realizados corretamente, também fortalecem os músculos ao redor das articulações, já que são exercícios que contribuem para a redução da pressão sobre as áreas afetadas.

Por outro lado, existem práticas que são desaconselhadas para pessoas com artrite. Atividades de alto impacto, especialmente durante períodos de dor aguda, não são recomendadas. Corridas, saltos ou esportes que impõem grande estresse nas articulações, como futebol, basquete e vôlei podem intensificar a dor e a inflamação.

Cuidados diários que potencializam o tratamento

Além da atividade física, outros hábitos diários podem ajudar a aliviar os sintomas da artrite e melhorar o bem-estar. “A crioterapia, por exemplo, é uma ótima aliada para reduzir o inchaço e a inflamação. Já para o alívio da dor muscular, compressas quentes são indicadas, pois favorecem o relaxamento e a circulação”, orientou Washington.

Manter uma alimentação saudável e equilibrada é outro aspecto fundamental nessas horas, pois além de auxiliar no controle do peso, uma boa dieta pode amenizar o processo inflamatório.

“E não menos importante é preciso buscar a qualidade do sono, já que durante o período de descanso, o corpo realiza a recuperação e reparação dos tecidos”, finalizou.


Saiba quais plantas devemos evitar em ambientes internos

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Radiografia da Notícia

* Médica especialista em alergias respiratórias explica que determinadas espécies, como o Lírio da Paz, a Samambaia, o Ficus e até mesmo as Orquídeas, podem desencadear reações em pessoas mais sensíveis

*Entenda o porquê e quais são as melhores opções

As reações adversas, que vão de espirros a irritações mais graves, podem ser desencadeadas por espécies comuns que decoram nossos lares

Luís Alberto Alves/Hourpress

Com a crescente tendência de trazer a natureza para dentro de casa, a presença de plantas de interior se tornou um símbolo de bem-estar e estilo. No entanto, esse amor pelo verde pode esconder perigos, especialmente para pessoas alérgicas. As reações adversas, que vão de espirros a irritações mais graves, podem ser desencadeadas por espécies comuns que decoram nossos lares.

“O encanto das plantas não deve ofuscar os riscos que algumas delas representam para a saúde, especialmente em épocas de polinização intensa”, alerta a especialista em doenças respiratórias Dra. Cristiane Passos Dias Levy, otorrinolaringologista do Hospital Paulista. Entre as espécies mais problemáticas, segundo ela, estão o Lírio da Paz, popular por suas flores, mas que pode causar reações adversas, e a Samambaia, que tende a acumular poeira e mofo, agravando problemas alérgicos.

“A umidade que algumas plantas retêm pode se transformar em um ambiente propício para o crescimento de fungos, que são alérgenos conhecidos”, explicou.

Outras plantas, como o Ficus e as Orquídeas, também podem liberar substâncias irritantes, potencializando a sensibilidade em indivíduos predispostos. “Para quem sofre de alergias, é importante considerar o tipo de planta que se tem em casa. Alternativas mais seguras, como o Aloe vera e a Palmeira de Areca, podem ser opções viáveis que ajudam a melhorar a qualidade do ar sem causar reações alérgicas”, sugeriu.

Primavera

Ela explica que, durante a primavera, o aumento da polinização também pode exacerbar os sintomas alérgicos. Portanto, é outra questão que devemos ficar atentos. “A primavera é uma estação que traz um incremento nos níveis de pólen, o que pode ser desafiador àqueles que já enfrentam alergias. Monitorar as contagens de pólen, por meio de sites, aplicativos e serviços meteorológicos locais pode ser uma estratégia eficaz nesse contexto, para evitar atividades ao ar livre em dias de alta polinização”, recomendou a otorrinolaringologista.

Plantas Artificiais

Para os que optam por plantas artificiais, a Dra. Cristiane Passos Dias Levy enfatiza que a manutenção regular é crucial. “Embora plantas artificiais não produzam pólen, elas também podem acumular poeira e alérgenos. Limpeza frequente e o uso de produtos hipoalergênicos são essenciais para garantir um ambiente livre de irritantes”, concluiu.

Assim, ao escolher plantas para ambientes internos, é fundamental ponderar os benefícios e os riscos, garantindo que a beleza da natureza não venha acompanhada de desconforto alérgico.

Abaixo seguem as principais dicas para alcançar esse objetivo:

Escolha plantas seguras. Ou seja, opte por espécies menos alergênicas, como Aloe vera e Palmeira de Areca, e evite plantas conhecidas por causar reações, como Ficus e Samambaia.

Mantenha as plantas limpas, higienizando regularmente as folhas para remover poeira e mofo, minimizando a acumulação de alérgenos.

Garanta boa ventilação, mantendo o ambiente bem arejado para reduzir a umidade e evitar o crescimento de fungos.

Monitore as contagens de pólen. Há sites e aplicativos como Weather.com e Pollen.com para acompanhar as contagens de pólen em sua área.

Planeje as atividades ao ar livre. Isto é, evite sair em dias de alta contagem de pólen, especialmente durante as manhãs.

Considere plantas artificiais. Se você é alérgico, plantas artificiais podem ser uma alternativa, mas devem ser limpas regularmente para evitar poeira.

Consulte um especialista. Para orientações personalizadas, consulte um otorrinolaringologista ou alergologista, especialmente se você tem histórico de alergias.

Hepatologista Esclarece Impactos de Erro no Protocolo de Segurança em Transplantes após Casos de Contaminação por HIV

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Radiografia da Noticia

* Após erro no protocolo de transplantes, seis pacientes contraíram HIV

* Dra. Patrícia Almeida, hepatologista do Hospital Israelita Albert Einstein, esclarece que o sistema de transplantes no Brasil é seguro

* Com triagens rigorosas para evitar a transmissão de doenças, e explica como o manejo desses casos deve ser feito

Redação/Hourpress

Na última semana, foi noticiado que seis pacientes contraíram HIV após um erro no protocolo de segurança de órgãos para transplante. Esse incidente grave reacendeu discussões sobre a segurança nos processos de triagem e transporte de órgãos, além de gerar dúvidas entre a população sobre a segurança do protocolo e como minimizar os riscos de infecção.


No Brasil, pessoas que vivem com HIV não podem ser doadoras de órgãos, exceto em casos especiais onde o receptor também seja HIV positivo. Uma medida de proteção para garantir a segurança dos receptores. A triagem pré-transplante é composta por exames obrigatórios para doenças transmissíveis, como HIV, hepatites B e C, sífilis e outras infecções, e casos como este indicam falhas pontuais que devem ser investigadas para prevenir ocorrências futuras.


Dra. Patricia Almeida, hepatologista do Hospital Israelita Albert Einstein explica que "O diagnóstico de HIV em um paciente transplantado exige uma abordagem imediata e multidisciplinar. A triagem pré-transplante inclui exames para doenças transmissíveis, e qualquer falha nesse processo pode ter consequências sérias. É fundamental que todos os protocolos de segurança sejam seguidos de forma criteriosa, mas devemos lembrar que o sistema brasileiro de transplantes tem altos índices de segurança e eficiência."


A especialista também explica que o manejo do paciente transplantado com HIV envolve cuidados precisos para controlar a infecção e preservar o funcionamento do órgão transplantado. "O controle do HIV em pacientes transplantados requer uma coordenação entre infectologistas, imunologistas e a equipe responsável pelo transplante para garantir a saúde do paciente e o sucesso do transplante," conclui.


Esclarecimentos Importantes:


Como é feita a triagem de órgãos?

A triagem envolve testes rigorosos, incluindo exames sorológicos e moleculares, como o PCR, para identificar vírus como HIV, hepatite B e C, entre outros. Essa triagem visa proteger tanto o receptor quanto o doador, garantindo a compatibilidade e a viabilidade do transplante.


O que fazer após um diagnóstico de HIV em um paciente transplantado?

O tratamento antirretroviral (TARV) deve ser iniciado ou ajustado imediatamente, levando em consideração a interação dos medicamentos com os imunossupressores usados para prevenir a rejeição do órgão. A equipe multidisciplinar deve monitorar a função do órgão transplantado e o status imunológico do paciente.

 

Quais são as medidas preventivas contra infecções oportunistas?

Pacientes transplantados e com HIV são mais suscetíveis a infecções oportunistas, como Pneumocystis jirovecii e citomegalovírus (CMV). Profilaxias são frequentemente recomendadas para evitar complicações adicionais.


Dra. Patricia Almeida ressalta que, apesar do incidente, é importante não desmotivar a doação de órgãos, uma prática que salva milhares de vidas anualmente no Brasil. "É fundamental que continuemos incentivando a doação e aprimorando os protocolos para garantir segurança máxima aos receptores," concluiu a médica.

quinta-feira, 19 de setembro de 2024

Psiquiatra explica como funciona procedimento que inibe impulsos sexuais em homens

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Radiografia da Notícia

*Segundo especialista do CEUB, o método proposto pelo Congresso Nacional não deve ser visto como solução única ou infalível

De acordo com o especialista, a castração química pode, de fato, impactar a redução de crimes sexuais

* Condenados reincidentes por crimes como estupro (art. 213), violação sexual mediante fraude (art. 215) e estupro de vulnerável (art. 217-A) poderão se submeter ao tratamento químico 

Luís Alberto Alves/Hourpress

Já aprovado no Senado, o Projeto de Lei n° 3127, de 2019, que sugere a castração química voluntária como parte do tratamento para reincidentes em crimes contra a dignidade sexual, divide opiniões quanto à ética do ato, seu papel no sistema penal e a complexidade de lidar com crimes deste tipo apenas pelo controle da libido. Se aprovada na Câmara dos Deputados, a medida entrará em vigor na data de sua publicação. Lucas Benevides, psiquiatra e professor de Medicina do Centro Universitário de Brasília (Ceub), explicou o procedimento e seus efeitos.
 
De acordo com o especialista, a castração química pode, de fato, impactar a redução de crimes sexuais, especialmente quando a agressão está fortemente vinculada a impulsos sexuais descontrolados. Benevides considera que a diminuição dos níveis de testosterona por meio do tratamento, em alguns casos, pode diminuir a reincidência em crimes de violência sexual. No entanto, o médico ressalta que a eficácia da castração química pode variar de caso a caso: "Alguns criminosos cometem delitos por questões de poder, controle ou sadismo, que não são necessariamente mitigadas pela castração química".
 
Segundo o projeto, condenados reincidentes por crimes como estupro (art. 213), violação sexual mediante fraude (art. 215) e estupro de vulnerável (art. 217-A) poderão se submeter ao tratamento químico hormonal de forma voluntária. Nesse sentido, aqueles que aceitarem o tratamento poderão receber livramento condicional, desde que cumpram os requisitos legais estabelecidos pela Lei de Execução Penal e desde que o tempo do tratamento seja, no mínimo, equivalente ao dobro da pena máxima prevista para o crime cometido.

Normal
 
Sobre o procedimento designado como tratamento, Lucas Benevides explica que a castração química envolve a administração de medicamentos que reduzem os níveis de testosterona no corpo, diminuindo o desejo sexual e os impulsos relacionados. Segundo o especialista, estes medicamentos podem ser tomados via oral ou por injeções e têm efeito reversível - uma vez interrompidos, os níveis hormonais podem voltar ao normal. 
 
Entre os medicamentos mais utilizados estão: Medroxiprogesterona Acetato (MPA): Progestágeno sintético, que reduz a produção de testosterona; Leuprolida: Agonista de GnRH, que suprime os níveis de testosterona a longo prazo; Triptorelina: agonista de GnRH utilizado para reduzir a produção de testosterona; Ciproterona e Acetato: antiandrogênico que bloqueia os efeitos da testosterona.
 
O psiquiatra e docente do Ceub alerta que muitos crimes sexuais estão relacionados a impulsos exacerbados, com motivos complexos e multifacetados. Segundo ele, fatores psicológicos, sociais e comportamentais desempenham papéis significativos e devem ser considerados durante a votação do Projeto de Lei: “A libido pode ser um fator importante, mas não é o único em crimes como estes”.

Cinco motivos que poucos falam, mas que dificultam o emagrecimento

EBC



 Radiografia da Noticia

Médica endocrinologista compartilha os entendimentos que sua própria e complexa experiência de emagrecimento trouxe e que estão reunidos em seu livro "Além da Balança"

Redação/Hourpress

 

"Subir na balança pode ser uma experiência carregada de expectativas e emoções. Parece que aquele número define o sucesso ou o fracasso em relação à saúde. Mas, será que esse número tem realmente o poder que lhe atribuímos?", questionou a Dra. Thais Mussi, médica endocrinologista e metabologista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

 

A seguir, a autora de "Além da Balança", elenca 5 aspectos desconsiderados na maioria dos casos em que há uma necessidade de emagrecimento:

 

  1. A balança não informa quase nada: "Duas pessoas podem ter o mesmo peso, mas composições corporais completamente diferentes. Quem tem mais massa muscular e menos gordura é, em geral, mais saudável, independentemente do que a balança diz. Por isso, o peso corporal é apenas uma peça de um quebra-cabeça muito maior. Focar nesse número é ignorar outros aspectos fundamentais da saúde, como a composição corporal (proporção de músculo, gordura e outros tecidos), o bem-estar emocional e a qualidade de vida".

     
  2. Níveis de energia, sono e resistência ao estresse: "Tudo isso influencia profundamente a saúde geral e são negligenciados quando colocamos toda a nossa atenção no peso. Essa obsessão pode levar a um ciclo de dietas restritivas e comportamentos alimentares desordenados, que, ironicamente, prejudicam mais do que ajudam".

    3-Fome emocional: "Imagine um dia estressante no trabalho. Pressão, prazos, cobranças... Quando finalmente chega em casa, você se vê abrindo a geladeira em busca de conforto: um doce, uma massa, qualquer coisa que traga um alívio momentâneo. Esse comportamento é o que chamamos de 'fome emocional'. Essa fome cria um ciclo destrutivo de satisfação passageira, arrependimento e aumento do estresse que iniciou o ciclo. O resultado? Um ganho de peso gradual, associado a uma deterioração do bem-estar emocional".
     

4-Circunferência abdominal: "A gordura abdominal está mais diretamente associada a riscos de doenças cardiovasculares do que o peso total do corpo. Isso significa que alguém pode estar dentro da faixa de peso 'saudável', mas ainda assim ter riscos elevados devido à distribuição de gordura".

5-Mindfullness e o emagrecimento: "Quando você aprende a identificar e acolher emoções sem recorrer à comida, descobre que é possível nutrir não apenas o corpo, mas também a mente. Ao entender que o vazio emocional não se preenche com calorias, você abre caminho para um emagrecimento sustentável e uma vida emocionalmente equilibrada"

 

Na obra "Além da Balança", a Dra. Thais oferece uma abordagem mais compassiva e realista para o cuidado com a saúde. "Ao desafiar a obsessão pelo peso, o livro convida os leitores a se libertarem das amarras da balança e a focarem no que realmente importa: sentir-se bem, ter energia, e viver uma vida plena. A verdadeira saúde vai muito além de um número", finalizou a autora.

A reforma tributária e as consequências severas para o agronegócio

    Pixabay


Radiografia da Notícia

Muitos dos tributos que incidem sobre o setor, como IPI, PIS, COFINS, ICMS e ISS, têm alíquotas reduzidas ou até mesmo zeradas

 No entanto, com a substituição desses impostos pelos novos tributos IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), além do imposto seletivo, as alíquotas tendem a aumentar significativamente

*  Esse aumento pode impactar negativamente a competitividade do agronegócio brasileiro

Eduardo Berbigier

A regulamentação da reforma tributária em tramitação no Congresso Nacional tem sido alvo de intensos debates, especialmente no que tange aos reflexos para o agronegócio, um setor vital para a economia brasileira. É crucial analisar as possíveis mudanças e seus impactos à luz dos textos propostos, também com foco nas alíquotas e na estrutura tributária. Embora a reforma tenha como objetivo simplificar o sistema de impostos sobre consumo, as consequências para o agronegócio podem ser severas.

Atualmente, o agronegócio desfruta de uma situação diferenciada no sistema tributário brasileiro. Muitos dos tributos que incidem sobre o setor, como IPI, PIS, COFINS, ICMS e ISS, têm alíquotas reduzidas ou até mesmo zeradas. Além disso, o setor ainda conta com a possibilidade de recuperar créditos tributários em espécie ou compensá-los com outros tributos. No entanto, com a substituição desses impostos pelos novos tributos IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), além do imposto seletivo, as alíquotas tendem a aumentar significativamente.

O ponto central da preocupação reside no fato de que a alíquota média paga pelo agronegócio hoje gira em torno de 3% a 4%, mas com a nova estrutura proposta, essa alíquota pode saltar para mais de 11%, representando um aumento de praticamente três vezes. E isso pode ser ainda mais elevado. O pedido do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para aumentar a alíquota em mais 1,47%, que pode levar o percentual total para 28%, coloca o Brasil no patamar das maiores alíquotas de IVA (Imposto sobre Valor Agregado) do mundo, comparável à Hungria.

Carga

Por outro lado, a dita simplificação tributária está cada vez mais distante, com uma série de regras específicas, e a concomitância de 2 sistemas distintos, encarecendo ainda mais o staff do empresário que já usa muitas horas para apuração de seus tributos.  

Esse aumento pode impactar negativamente a competitividade do agronegócio brasileiro. O setor já enfrenta desafios significativos, como altos custos logísticos e trabalhistas, que são alguns dos mais elevados globalmente. A carga tributária mjorada poderá inviabilizar a capacidade do agro em competir no mercado internacional, especialmente em um cenário onde outros países, como Estados Unidos, França e Suíça, oferecem subsídios substanciais para seus produtores.

Outro ponto que merece atenção é o impacto sobre os pequenos produtores. A reforma prevê que produtores que faturam até R$ 3,6 milhões anuais precisarão se tornar pessoas jurídicas para ter acesso ao crédito presumido, essencial para manter a competitividade. Isso pode criar barreiras adicionais, dificultando a sobrevivência desses pequenos produtores no mercado e, por consequência, prejudicando toda a cadeia produtiva do agro.
 

Fisco

Além disso, a dívida tributária já existente no Brasil, que ultrapassa R$ 12,5 trilhões, evidencia um sistema falido. O aumento da carga tributária pode agravar ainda mais essa situação, tornando o cumprimento das obrigações fiscais ainda mais difícil para os empresários honestos que já lutam para se manter em dia com o fisco.

A velocidade com que a reforma está sendo aprovada também é motivo de preocupação. A Câmara dos Deputados aprovou o texto em tempo recorde, sem a devida discussão e análise aprofundada das centenas de emendas apresentadas. Agora, cabe ao Senado examinar com mais calma e atenção, evitando que decisões precipitadas prejudiquem ainda mais o setor agropecuário.

A Frente Parlamentar, as entidades representativas do Agronegócio, os agricultores precisam se mobilizar intensamente para que sejam apresentadas soluções ao texto com objetivo de mitigar os impactos negativos da reforma. Embora o pior cenário já esteja delineado, ainda há espaço para ajustes que possam preservar a competitividade do agro e, por extensão, a estabilidade econômica do país.

Balança

Em suma, a reforma tributária em discussão tem potencial para trazer mudanças profundas para o Brasil, mas é preciso cautela para evitar que o agronegócio, responsável por uma fatia significativa do PIB e do saldo positivo da balança comercial brasileira, sofra prejuízos irreparáveis. 

A sociedade deve estar ciente de que as decisões tomadas agora poderão afetar o país por décadas, e é necessário um esforço conjunto para garantir que o novo sistema tributário seja justo e eficiente, sem sacrificar um dos setores mais importantes da nossa economia.

Eduardo Berbigier é advogado tributarista, especialista em Agronegócio e CEO do Berbigier Sociedade de Advogados.